9.3.09

"I have stood here before inside the pouring rain

With the world tunring circles running ’round my brain

I guess I’m always hoping that you’ll end this reign

But it’smy destiny to be the King of Pain…

 

I have stood here before inside the pouring rain

With the world turning circles running ’round my brain

I guess I always thought you could end this reign

But it’s my destiny to be the Queen of Pain…"

 

criado por kadichari    21:57 — Arquivado em: Excertos

24.2.09

Um Copo de Cólera

Um homem e uma mulher.

Homem bruto, rural, tosco. Mulher inteligente, independente, amante.

A primeira parte do livro, em seus dois capítulos, mostra o lado "macho-fêmea" da relação do casal. O lado em que ela é dominada, e ele domina, e estão ambos felizes em seus fetiches satisfeitos. Ambos estão profundamente conectados, em gestos, em imagens, am atos.

Logo a situação muda. Ao passo que eles se levantam para tomar banho, percebemos que é ela quem cuida dele. Há uma conexão quase maternal no modo como eles se comportam, ela lavando seu cabelo, passando-lhe sabonete, secando-o, vestindoo, penteando-o; ele aceitando do bom grado todos os tratos, como um menino que não tem jeito para se arrumar, que precisa de ajuda e aceita a ajuda daquela em que confia.

É muito importante ressaltar, antes de passar para a parte mais importante do romance/conto, que a história é quase em absoluto narrada por ele, a não ser pelo capítulo final. É importante porque ao observar o livro, sem mergulhar nele, ele pode parecer cansativo (UOU, cinqüenta e duas páginas num só parágrafo!), quando não é de forma alguma.

Ele é empolgante justamente por se tratar de um fluxo de pensamentos momentânios, iniciados no café-da-manhã, quando ele percebe a dondoca que está à sua frente. Já desgostoso, percebe as saúvas: formigas danadas que lhe fizeram um buraco na cerca viva!

Rompante! Como se visse alguém sendo assassinado, ele se levanta estrondosamente, corre à dispensa e apanha veneno para as formigas, sempre pensando que aquilo não pode acontecer com ele, mais exaltado do que deveria estar, irritado, machucado, como se corroído por dentro. Formigas mortas, segunda parte da raiva.

Ele se vira, jubilante, para encontrá-la, a sua dondoca, conversando com a empregada! A "gente do povo" que ela tanto exaltava. Idiotice, idiotice. Segundo rompante: ela faz uma piadinha. Um comentário que o diminui, que o transforma num idiota.

Ah, ele não aguenta. Primeiro humilha a empregada, depois se vira para ela, ele tem que acabar com ela. Não consegue. Como, pois, conseguiria um bruto, um homem da fazenda, ganhar nas palavras de uma jornalista? Ela mostra pra ele. Ela só é dominada quando quer. Exercendo o papel de mulher, e não de fêmea, não há a mínima chance de uma vitória dele.

Então ele apela. Apela para os fetiches, para a fêmea que ela guarda. Horrorizada, ela vai embora. E ele chora.

Afinal ele é um menino. Ele precisa dela.

A parte final do livro é narrada por ela. É quando ela volta para ele, quando ela mostra que o perdoa e sempre o perdoará, porque meninos são assim. Eles agem antes de pensar, e se arrependem quando pensam. O arrependimento é suficiente. Ela volta.

p.s.: livro pra se ler de uma vez.

KADICHARI M.

criado por kadichari    12:29 — Arquivado em: Críticas

21.2.09

Socialismo?

A diferença entre o socialismo e o capitalismo não é o dinheiro - existe dinheiro, existe salário (planificado, mas há) no socialismo; não é o comércio - se há salário há comércio, e mesmo que não houvesse, haveriam trocas, haveria a necessidade de se conseguir o que a sua terra não pode produzir.

Qual a diferença?

Desculpem-me os intelectuais que achem enormes furos no que estou prestes a dizer; eu não li o socialismo científico de Marx, só tive aulas de história.

O socialismo é um sistema político e econômico que funciona de modo a dar destaque à indústria da qual o povo mais precisa. É um governo que funciona em função do povo. Primeiro as indústrias de base, depois as indústrias de bens de consumo, depois as indústrias de tecnologia de ponta.

O socialismo funciona quando toda a população do país tem acesso a assistência médica pública de qualidade, ensino público de qualidade, empregos com uma média de renda de acordo com o quanto ele precisará gastar e assistência do governo para tudo e qualquer coisa.

Uma vez instalado o sistema, o Estado pode evoluir para um simples fiscal, e tudo se mantém funcionando com qualidade.

Ei, espera. Não é isso que o nosso governo capitalista devia fazer?

Por favor, corrijam-me. Eu estou confusa. Seria o socialismo um capitalismo menos consumista e que funciona?

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:05 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

18.2.09

*

Saudades da célere fulgacidade radioativa e redundante que emanava de certos olhos.

KADICHARI M.

criado por kadichari    23:17 — Arquivado em: confissões

12.2.09

Lixo

Por algum tempo o gravetinho se movimentou para a direita e para a esquerda, a esmo, enquanto ela sentava meio sem rumo na calçada. A poeira fina e negra na qual ela desenhava riscos caprichados aderia à sua pele, e aos poucos os dedos e quase toda a palma estavam acinzentados e incomodamente grossos.

A ironia não era um de seus elementos preferidos. Havia a espera, o trabalho árduo, o resultado, e a ironia. A ironia era que nada seria recompensado. Planos subitamente arrancados do chão ainda na forma de sementes, puta raiva sendo plantada no lugar. Ela esticou as pernas para a rua de modo a conseguir deitar na calçada quente.

E se o caminhão recolhedor do lixo passasse por cima dela naquele momento? Não seria irônico? Não era irônico que ela dentre todos tinha permanecido de pé e seguido, quando ela dentre todos não tinha se esforçado para isso? Não era irônico que haviam árvores de puta raiva crescendo mais frondosas que o freixo de resultados dela?

O julgamento era mais duro que sua própria vontade de crescer; ela diminuía, diminuía, até que não pudessem mais vê-la, como nos desenhos animados estúpidos e enganosos. Enganosa.

Bem queria que tudo acabasse. Acabasse, acabasse.

ESTRONDO.

O caminhão recolhedor de lixo passou, e agora sim ela estava bem.

KADICHARI M.

 

criado por kadichari    19:34 — Arquivado em: Crônicas

24.1.09

Ilusão

Às vezes ela achava que estava sozinha. Não estava, mas era tão forte a sensação que ela se enraivecia com todos à sua volta por não lhe darem companhia quente o suficiente. Eram odiosos todos aqueles que se preocupavam tanto com seus próprios narizes que não podiam ver o dela. Não viam o dela! Crime imperdoável.

Às vezes ela ouvia as pessoas chamando-na arrogante. Então pensava em tudo o que eles faziam contra ela, todas as palavras duras que tinha que ouvir só porque ninguém a compreendia. Sentia pena daqueles que espalhavam coisas terríveis sobre ela só para esconder sua mesquinharia e falta de tato, só para tentar perdoar as suas faltas para com ela.

Às vezes parecia que ninguém gostava dela. Não riam das suas piadas, porque ela era a piada. Ela só podia pensar que eles se reuniam depois para listar todas as gafes que ela cometia. Afinal ela tinha um filtro muito bom para piadas de mau-gosto, e a única explicação para não rirem é que não gostavam dela. Ela era uma aberração, uma pessoa boa entre tantos leitões.

Às vezes ela sentia vontade de se machucar. As pessoas criticavam sua felicidade, achavam que ela devia ligar para os problemas dos outros, ajudá-los, mas ora; ajudar àqueles tantos que só a desprezavam e nunca pensavam no bem dela? E o bem dela? Ela precisava de vários bens diferentes. Não poria ninguém no caminho disso, ninguém merecia. Ela era definitivamente unstoppable, precisava de um pouco de realidade.

Mesmo que não soubesse exatamente o nome do que precisava.

Houve uma vez em que alguém olhou nos olhos dela. E ela reconheceu imediatamente a arrogância no olhar dele; era a mesma que encarava em seus próprios olhos no espelho, sob outro nome. Então ela se apaixonou.

Ele era tudo que ela desprezava; ainda sim ele era tudo o que havia nela. A simples complexidade do que ela não entendia tomou forma real, e então ela pôde tocar, cheirar, soletrar a realidade. Era o suficiente.

Às vezes ela pensa em como ainda está apaixonada, e em como a realidade desprezou-a tão mais forte que qualquer outra pessoa.

KADICHARI M.

 

criado por kadichari    23:15 — Arquivado em: Crônicas

12.1.09

Vazios

Houve um estalo alto, e então uma poeira leve, cinzenta e incrivelmente volumosa tomou o cômodo para si. Ele fechou os olhos um segundo mais tarde do que deveria, e sentiu lágrimas misturarem-se com a agitação da poeira em frente à sua tosse. Abanou as mãos, a tosse se tornando um quase vômito poeirento, tentando abrir um raio mínimo em torno de sua cabeça para olhar para cima.

Certo. Primeiro tinha de se levantar. De onde vinha tanta poeira? Sentou-se e tentou abrir um pouco os olhos, só uma pequena fenda: a massa cinza pareceu sentir e comprimiu com força seu rosto, penetrando suas narinas já secas e bloqueando sua traquéia. De onde vinha tanta poeira? Se levantou de vez, e sentiu meio que um redemoinho em torno de si, apesar de não ousar abrir os olhos novamente. Tateou procurando as paredes, mas a poeira não o deixaria.

Tossiu.

Que espécie de armadilha mortal era aquela?

Ele levou as mãos à cabeça em desespero. Então riu.

O buraco vazio no topo de seu crânio lhe explicou de onde vinha toda a poeira. Ele deitou-se novamente e desejou que ela voltasse à forma cerebral antes de retomar seu lugar.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:28 — Arquivado em: Crônicas

11.1.09

*

Alguém me empresta uma faca que atravesse costelas?

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:58 — Arquivado em: Críticas

Drown

O cheiro azul daquelas lágrimas a fizeram lembrar-se dos olhos que costumavam prender e guiá-la, e ela se pegou perguntando sobre o que estava fazendo ali. Não era sua a responsabilidade e ela era toda constrangimento, enquanto o olhar molhado do outro procurava nela a salvação. A salvação que ela não era; ela desviou o olhar. As lágrimas então se desfizeram em soluços que soavam como buracos negros.

O ar saiu e entrou em seus pulmões ruidosamente, para que então se obrigasse a encará-lo.

- Por favor, economize as lágrimas - murmurou quase sem força, a memória ainda em outros olhos azuis. O efeito foi inverso, de repente parecia que havia lágrimas o suficiente para formar um oceano. Qual seria? Ela meio que gostava do mar Mediterrâneo, tão misterioso e profundo…

Os soluços a interromperam. Soluços acabavam com a beleza do rosto lavado, acabavam com o brilho sincero no olhar, tranformando-os ambos em sombras cruéis e sofridas. Lembrou-se dos olhos que não soluçavam, e sentiu as pequenas perolinhas quentes escorrendo por suas próprias bochechas. Precisava de seus olhos e sabia que eles não voltariam.

- Eu não posso aguentar - sussurrou, trêmula, escondendo-se sem olhá-lo. Ele a abraçou, soluçando insuportavelmente, sugando escuramente suas forças para desvencilhar-se. Ela tremulava, e pensou mais uma vez nos olhos. Recusara-se a vê-los fechados, e se perguntava se tinha sido a escolha certa. Afinal, precisava acostumar-se com a idéia de que não ia mesmo vê-los de novo.

Os soluços acabaram, e ela empurrou-o.

- Você devia chorar tudo o que pudesse agora - ele disse, quando ela se levantou e começou a andar na direção oposta.

- Ela não ia querer que eu chorasse, imbecil. Ela não ia querer nem que eu ligasse para isso. E eu não ligo; porque ela não liga. Ela nem respira, como poderia pensar? Vá embora. Você completamente arruinou tudo.

Ele abriu a boca para responder, mas não pôde. Ela se virou e andou o mais rápido que pode, enquanto as memórias sobre os olhos derretiam-se e afogavam o resto de seu cérebro.

KADICHARI M.

criado por kadichari    0:09 — Arquivado em: 100themes

1.1.09

Blink

Vento, chuva, neve e calor A acompanhavam. Era hora, embora não houvesse tempo. Havia a preguiça, mas Ela não se livraria dela. O quê, para jogar na humanidade? Eu fico com a preguiça. A questão era só quando Ela teria coragem de criar a humanidade.

Suspirou, esticou os braços numa forma quase rude de espreguiçamento. Bah, bah. As demonstrações climáticas se afastaram dEla e Ela se sentou numa pedra para fazer pinturas rupestres. Bateu palmas e as luzes se acenderam, surgidas dos confins do novo mundo.

Estava satisfeita!

Agora só faltava a humanidade. Deitou-se e dormiu, obrigando-se a sonhar com o que quereria para seus próximos primatas.

Bípedes, com a caixa craniana adaptada ao controle de sons e o cérebro inclinado à comunicação, portanto ao pensamento. Se acharão especiais, e serão, à sua maneira. Tal obra prima não se compararia nem aos dinossauros, Seus xodós. Sentou-se de repente.

Precisaria acabar com a humanidade algum dia! O impacto que deixariam num tempo relativamente pequeno (a comunicação seria MUITO útil) serviria de casa para novas espécies e eles teriam de sair de cena; os melhores espécimes passando a acompanhá-La como aquele braquiossauro. Mas como se extinguiriam? Inteligentes como seriam, lutariam contra qualquer coisa predizível. Não poderia usar o clichê meteorito de novo!

Suspirou. Certo, teria de fazê-los um pouco defeituosos. De modo que a maioria agisse com ganância limitada à sua própria vida, e não a de sua espécie. De modo que lutassem para encobrir a morte iminente para fazerem uma boa vantagem para si mesmos durante o tempo que lhes restasse. Sim, deixaria em suas mãos a política, a organização de classes, a vida em sociedade, para que conflitos e divisões fossem criados.

A destruição dessa nova espécie não estaria nas mãos dEla. Bingo!

Então Ela piscou. Responsabilidades eximidas, lavava suas mãos a partir dali.

KADICHARI M.

criado por kadichari    2:55 — Arquivado em: 100themes

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