11.7.09

Férias

Parece que só Ananda consegue atualizar blogs atualmente.

Primeira vez desde a criação disso aqui que eu não escrevi sobre meu aniversário e ficar velha e ganhar presente ou qualquer outra coisa parecida.

Eu vim só porque faz falta escrever e eu tenho que fazer nem que seja um bolo de palavras sobre como eu não estou conseguindo escrever. Falta tempo, falta tema, falta vontade…

O povo desistiu do 100themes, aquilo me obrigava a escrever sempre…

Então, http://cantwesleep.wordpress.com/ , projeto estacionado também.

E só falta uma semana pras férias acabarem e pra mim elas nem começaram.

Quero açaí.

KADICHARI M.

 

criado por kadichari    15:00 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

24.4.09

Escravos e Escravos

Se em épocas passadas, o negro era o explorado da vez em terras tupiniquins, o germe do capitalismo já derrubou qualquer limitação étnica ou etária que a escravidão pudesse apresentar - seja a escravidão de idéias, de tempo, ou de trabalho.

Classificamo-nos todos, antes de tudo, como escravos do capitalismo - nossa sobrevivência é condicionada a quanto podemos pagar por ela. A quem não pode pagar por sua carta de alforria, resta o trabalho contínuo, por vezes vitalício, que exige a dedicação de todo o seu tempo livre. E na época em que a máquina trabalhista se reduz ao direito de ignorar direitos e ao dever de exigir deveres…

A mágica irônica do capitalismo é que, por mais humilhante que seja, um emprego é uma fonte de estabilidade mínima, e sempre haverá alguém disposto a se arriscar. Cortador de cana, catorze horas sob o sol sem proteção o assistência fazendo trabalho braçal? Menino de onze anos para pôr madeira em um forno de barro fechado sob risco de intoxicação?

E por que não?

O trabalho é super exigido e subvalorizado. É preciso cumprir prazos, fazer horas-extras, ter boas informações, só para depois ter de clamar, protestar, processar para ter seus direitos atendidos - ou nem isso: na massificação global em que nos encontramos, poucos o fazem, poucos se diferenciam. Os presos pelas idéias são piores que os amarrados por condições brutas.

Findamos encalacrados no poço da acultura assalariada; no lugar em que quem tem poder humilha e quem não tem acata; no tempo em que escravidão é coisa boba.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:27 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

11.4.09

*

Acabou que você não estava realmente fora da minha vida.

Não sei se te encontrei só porque você deixou que eu te encontrasse - a verdade é que eu não estava procurando - e nem sei o que isso significaria.

Eu nem quero voltar àquela rotina, também… Algumas relações são feitas para não dar certo.

Foi uma boa surpresa, porém. Bom saber que você tá bem.

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:26 — Arquivado em: Reflexões, confissões

11.3.09

Inquietações

Era longa a série de mal-entendidos que nos seguia e unia - isso nem vem ao caso - porque havia uma séria incompreensão nos abrangendo. Ela não podia entender e eu ficava rouca de explicar; acabávamos por aceitar uma a outra como os seres mais ignorantes do mundo e seguíamos em frente.

Houve, então, o mal-entendido que acontecera de verdade.

Primeiro note que ela sempre fora inquieta. Era de sua natureza, de sua pele, de seus olhos, mesmo quando sentada, mexerem-se, erguerem-se, desconcentrarem-se. Havia uma certa agonia no modo como viajava o olhar da boca pra as mãos do interlocutor e então para os seus próprios pés balançantes quando o discurso começava a alongar-se; hiperatividade ou déficit de atenção, não sei. Posto isso, sigamos.

Houve que algo aconteceu. E eu que havia de dizer que não foi nada significante, ou até que não foi, apenas, disse. Grandes estrondos e escândalos não são mais ridículos que a não-justificativa de quem diz que não fez o que fez. Nem são tão inesperadas as conseqüências.

O que ela viu ou ouviu, exatamente, eu não sei dizer, já que o que ela falou após foram poucas palavras - desanimadas até. A grande impaciência dela me impediu de explicar - até mesmo se ela tivesse uma grande paciência me seria difícil.

Creio que houve um entrechoque de idéias tão grande naquele cérebro de menina que a inquietação imperativa dela se tornou introspectiva, e até sua voz parecia ser engolida e não proferida - ainda que não tenha me esforçado um mínimo pra ouvir todas as palavras bem diccionadas: "você e eu somos uma piada. Nós somos uma piada". Só não tenho certeza se o "haha" que se seguiu foi dela ou da minha imaginação.

Não importa. Foi o que bastou pra nos provar o quão ridículas éramos. Não havia, nem haveria, chance para toda a nossa falta de comunicação numa relação adulta; e já deixáramos de ser crianças.

Fomos em caminhos separados, mas de perto. Eu podia vê-la e ela a mim, ambas as duas ansiando por um novo cruzamento.

Quando lá chegamos e sentamo-nos juntas outra vez, pude perceber a calma que ela apresentava. A eloqüência, a coerência, a atenção expressiva nos olhos castanhos meio puxados. E, num momento de silêncio, tive o prazer esquisito de ouvi-la comentar sobre a minha inquietação aparente.

Eu ri um tanto, e ela apenas me observou com olhos sorridentes. Compreensão mútua. Acho que foi aí que ficamos.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:59 — Arquivado em: Crônicas, Reflexões

21.2.09

Socialismo?

A diferença entre o socialismo e o capitalismo não é o dinheiro - existe dinheiro, existe salário (planificado, mas há) no socialismo; não é o comércio - se há salário há comércio, e mesmo que não houvesse, haveriam trocas, haveria a necessidade de se conseguir o que a sua terra não pode produzir.

Qual a diferença?

Desculpem-me os intelectuais que achem enormes furos no que estou prestes a dizer; eu não li o socialismo científico de Marx, só tive aulas de história.

O socialismo é um sistema político e econômico que funciona de modo a dar destaque à indústria da qual o povo mais precisa. É um governo que funciona em função do povo. Primeiro as indústrias de base, depois as indústrias de bens de consumo, depois as indústrias de tecnologia de ponta.

O socialismo funciona quando toda a população do país tem acesso a assistência médica pública de qualidade, ensino público de qualidade, empregos com uma média de renda de acordo com o quanto ele precisará gastar e assistência do governo para tudo e qualquer coisa.

Uma vez instalado o sistema, o Estado pode evoluir para um simples fiscal, e tudo se mantém funcionando com qualidade.

Ei, espera. Não é isso que o nosso governo capitalista devia fazer?

Por favor, corrijam-me. Eu estou confusa. Seria o socialismo um capitalismo menos consumista e que funciona?

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:05 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

1.1.09

Resoluções de Ano Novo.

            Ano novo, novas as reclamações. São muitas cositas das quais é preciso se livrar antes de recomeçar a amontoá-las. Reflexões a se fazer, resoluções a se tomar. Desabafo! Esse ano definitivamente não foi bom. Emocionalmente desgastante, financeiramente insuficiente, intelectualmente pobre.

            Na soma geral, perdi mais pessoas que ganhei. E sim, dou muita importância a isso. Pessoas que ganhei; pessoas que ganhei e perdi; pessoas que perdi; e uma pessoa que eu perdi definitivamente, de verdade. Sofregamente posso dizer que chorei muito mais que o normal. E o fim do ano traz a perspectiva nova de não encontrar pessoas que eu já tinha há tanto tempo que me desacostumei das ausências delas. Mesmo com as promessas de estarei por perto. No final ninguém está.

            Os planos profissionais, de estudo, de fontes rentáveis e super-inteligência adquirida, encerraram-se num ano medíocre; na média, onde não fiz mais nem menos do que o socialmente esperado. A diversão foi rasa, mas a seriedade também, e a mim me parece que estive flutuando por todo o ano. O vazio ainda não foi preenchido. A morosidade, o grande tédio provocado; pedido, implorado, necessitado.

            Não li, não estudei, não vi grandes filmes, não tive grandes conversas reflexivas e minha maior conquista foi saber que sabia mais que alguém. E isso me parece o consolo dos perdedores. “Sabe, tem mais gente abaixo de você que acima!” Puta mediocridade! Essa sou eu, essa fui eu, durante todo esse ano. Morte, dengue, viagens, brigas, conflitos internos e dor. Não sei se é razão o suficiente. Por estar tão insatisfeita, me parecem só desculpas.

            Desculpas, desculpas, desculpas. Proferidas, recebidas, não aceitas exigidas, necessárias, culpadas. Meu ano foi uma grande caixa de desculpas. Então quero mudar o texto: quarteto, José, Deyvid, Aísha, obrigado por momentos bons.

            Deyvid, precisamos marcar outro cinema!

criado por kadichari    2:34 — Arquivado em: Reflexões

1.12.08

Raivinha, sim

A situação está piorando.

Sinto pelos que ficam e estagnam, e guardo mágoa sólida dos que estagnaram todo o processo.

E mesmo que eu fique, o meu caminho não estagna, não. O meu sou eu quem faço, e enquanto eu depender de mim, pode saber que tem um fantasma tentando estagnar VOCÊ.

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:04 — Arquivado em: Reflexões

24.11.08

Lugares (na Vida)

Sabe o que é desespero?

Está chegando o momento, se é que ele já não chegou, de escolher. De separar. De decidir coisas que há muito decidi que não quero decidir. A capacidade de desapego é parca, e a ambição é muita pro que eu posso aguentar. As coisas vêm se fechando, se encerrando, para que novos ciclos comecem.

Sabe aquele medo de mudança? Não sabia que eu tinha tanto. E de repente, assim, de uma decisão repentina já de outra, eu me ponho pensando se tudo que eu tinha como certo é o certo pra mim.

Me ponho pensando se os valores que eu tinha, que eu achei que eram meus por direito, por vida, por decisões anteriores, se os valores ainda são os mesmos. Eu cresci? Não queria.

Quero minha impessoalidade de volta. Quero aquela época em que era fácil priorizar o pensamento, a lógica. De alguma maneira as coisas estão mais complexas agora.

Tenho em mim, marcados, a memória de cada um dos sentimentos que me provocaram as pessoas cujos nomes eu lembro (ou não!). Esse lugar é meu. Esse lugar é meu.

Quero um presente que se lembre do meu passado. Não quero estar só no passado de ninguém. Já não bastam "os homens que caíram pelo caminho".

Esse lugar é meu.

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:02 — Arquivado em: Reflexões

5.11.08

Tempo

Fim de ano e a desocupação tende a diminuir.

O Tempo passando rápido demais para que eu possa administrar corretamente os meu afazeres, me dividindo da preguiça ao ócio durante as poucas horas livres das tardes; manhãs repletas de aulas e provas e provas e aulas; noites super badaladas no cursinho (¬¬’); sábados dando aula e domingos… Ainda tem domingos na semana?

Então, o 100themes vai atrasar. Como vai atrasar minha super resenha de ensaio sobre a cegueira como um conjunto Saramago+Meirelles, como já atrasaram (alguém ainda lembra disso?) as criticas de Crônicas de Nárnia. Ainda faltam três e suspeito que vou ter de reler esses livros.

Então… (sou cortada aqui quando o próprio tempo me grita: "Não há mais tempo! Fecha as cortinas e volta pra rotina!")

KADICHARI M.

criado por kadichari    16:41 — Arquivado em: Reflexões

5.10.08

Utopia

Por mais convicção que houvesse, a raiva veio com a frustração, querendo ou sim, provocada. Planos não são necessariamente sonhos; sonhos não são necessariamente utopias; utopias não tem de ser utópicas e a destruída poderia ter sido um plano bem sucedido. Poderia.

Às vezes eu me importo. Às vezes, só às vezes, eu deixo as coisas pararem numa parede. Mas não a parede que é o negativismo; não nessa. Só tijolos reais poderiam parar minhas intenções. Ainda assim, gritaria minhas palavras para quemquer que estivesse do outro lado. E eu pararia, sem minhas convicções. E minhas convicções seguiriam, sem mim. "V de Vingança"?

Vingança nem é minha intenção.

Minha intenção é apenas deixar claro que minha intenção de fato intenciona algo! Algo maior. Algo real!

Então todos esses nãos pairam deduzindo que eu não posso seguir, pensar, fazer. Me dizem que não há o que eu penso que há. Não há o que eu quero que haja. Não há como mudar. Não mude. Não tente. Não experimente. Não há.

KADICHARI M.

criado por kadichari    13:17 — Arquivado em: Reflexões

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