24.4.09

Escravos e Escravos

Se em épocas passadas, o negro era o explorado da vez em terras tupiniquins, o germe do capitalismo já derrubou qualquer limitação étnica ou etária que a escravidão pudesse apresentar - seja a escravidão de idéias, de tempo, ou de trabalho.

Classificamo-nos todos, antes de tudo, como escravos do capitalismo - nossa sobrevivência é condicionada a quanto podemos pagar por ela. A quem não pode pagar por sua carta de alforria, resta o trabalho contínuo, por vezes vitalício, que exige a dedicação de todo o seu tempo livre. E na época em que a máquina trabalhista se reduz ao direito de ignorar direitos e ao dever de exigir deveres…

A mágica irônica do capitalismo é que, por mais humilhante que seja, um emprego é uma fonte de estabilidade mínima, e sempre haverá alguém disposto a se arriscar. Cortador de cana, catorze horas sob o sol sem proteção o assistência fazendo trabalho braçal? Menino de onze anos para pôr madeira em um forno de barro fechado sob risco de intoxicação?

E por que não?

O trabalho é super exigido e subvalorizado. É preciso cumprir prazos, fazer horas-extras, ter boas informações, só para depois ter de clamar, protestar, processar para ter seus direitos atendidos - ou nem isso: na massificação global em que nos encontramos, poucos o fazem, poucos se diferenciam. Os presos pelas idéias são piores que os amarrados por condições brutas.

Findamos encalacrados no poço da acultura assalariada; no lugar em que quem tem poder humilha e quem não tem acata; no tempo em que escravidão é coisa boba.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:27 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

19.4.09

Ao acaso

Não trabalhamos com o acaso.

Não trabalhamos com a possibilidade de não acertar, de não ver, não ouvir, não sentir.

Não trabalhamos com a probabilidade de não existirmos; de inutilidade, de desimportância

Não trabalhamos com a necessidade de rejeição, de destruição, com a necessidade de errar.

Não trabalhamos com a necessidade de morte.

Não precisamos do acaso.

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:35 — Arquivado em: Poemas

Resignação

A estrada é longa; o asfalto quente pode fritar ovos, ferver água, dissecar você. Mas você não tem ovos nem água.

KADICHARI M.

criado por kadichari    0:36 — Arquivado em: Crônicas

11.4.09

*

Acabou que você não estava realmente fora da minha vida.

Não sei se te encontrei só porque você deixou que eu te encontrasse - a verdade é que eu não estava procurando - e nem sei o que isso significaria.

Eu nem quero voltar àquela rotina, também… Algumas relações são feitas para não dar certo.

Foi uma boa surpresa, porém. Bom saber que você tá bem.

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:26 — Arquivado em: Reflexões, confissões

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