12.1.09

Vazios

Houve um estalo alto, e então uma poeira leve, cinzenta e incrivelmente volumosa tomou o cômodo para si. Ele fechou os olhos um segundo mais tarde do que deveria, e sentiu lágrimas misturarem-se com a agitação da poeira em frente à sua tosse. Abanou as mãos, a tosse se tornando um quase vômito poeirento, tentando abrir um raio mínimo em torno de sua cabeça para olhar para cima.

Certo. Primeiro tinha de se levantar. De onde vinha tanta poeira? Sentou-se e tentou abrir um pouco os olhos, só uma pequena fenda: a massa cinza pareceu sentir e comprimiu com força seu rosto, penetrando suas narinas já secas e bloqueando sua traquéia. De onde vinha tanta poeira? Se levantou de vez, e sentiu meio que um redemoinho em torno de si, apesar de não ousar abrir os olhos novamente. Tateou procurando as paredes, mas a poeira não o deixaria.

Tossiu.

Que espécie de armadilha mortal era aquela?

Ele levou as mãos à cabeça em desespero. Então riu.

O buraco vazio no topo de seu crânio lhe explicou de onde vinha toda a poeira. Ele deitou-se novamente e desejou que ela voltasse à forma cerebral antes de retomar seu lugar.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:28 — Arquivado em: Crônicas

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