1.1.09
Blink
Vento, chuva, neve e calor A acompanhavam. Era hora, embora não houvesse tempo. Havia a preguiça, mas Ela não se livraria dela. O quê, para jogar na humanidade? Eu fico com a preguiça. A questão era só quando Ela teria coragem de criar a humanidade.
Suspirou, esticou os braços numa forma quase rude de espreguiçamento. Bah, bah. As demonstrações climáticas se afastaram dEla e Ela se sentou numa pedra para fazer pinturas rupestres. Bateu palmas e as luzes se acenderam, surgidas dos confins do novo mundo.
Estava satisfeita!
Agora só faltava a humanidade. Deitou-se e dormiu, obrigando-se a sonhar com o que quereria para seus próximos primatas.
Bípedes, com a caixa craniana adaptada ao controle de sons e o cérebro inclinado à comunicação, portanto ao pensamento. Se acharão especiais, e serão, à sua maneira. Tal obra prima não se compararia nem aos dinossauros, Seus xodós. Sentou-se de repente.
Precisaria acabar com a humanidade algum dia! O impacto que deixariam num tempo relativamente pequeno (a comunicação seria MUITO útil) serviria de casa para novas espécies e eles teriam de sair de cena; os melhores espécimes passando a acompanhá-La como aquele braquiossauro. Mas como se extinguiriam? Inteligentes como seriam, lutariam contra qualquer coisa predizível. Não poderia usar o clichê meteorito de novo!
Suspirou. Certo, teria de fazê-los um pouco defeituosos. De modo que a maioria agisse com ganância limitada à sua própria vida, e não a de sua espécie. De modo que lutassem para encobrir a morte iminente para fazerem uma boa vantagem para si mesmos durante o tempo que lhes restasse. Sim, deixaria em suas mãos a política, a organização de classes, a vida em sociedade, para que conflitos e divisões fossem criados.
A destruição dessa nova espécie não estaria nas mãos dEla. Bingo!
Então Ela piscou. Responsabilidades eximidas, lavava suas mãos a partir dali.
KADICHARI M.
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