25.11.08
Hipocrisias
- O que importa é o que você é, não o que você tem! - a frase retumbou, reverberou, silenciou. Não sei se ele ouviu minha risada abafada; nem me importa. Hipocrisia daquele pseudo-professor narcisista que queria ganhar em dólar, comprar um carro novo, mudar de cidade e nunca mais ver seus aluninhos pseudo-queridos.
Não estava ali de verdade. Era uma casca infeliz, covarde, era uma representação de si mesmo no que deveria ser, ter, falar. Nunca soube se sentia pena ou vontade de rir, rir imensamente daquele homem que jogava sua superioridade sobre nós, só para sentir-se melhor sobre o fato de que não era mais adolescente e feliz com nossa inferioridade.
Gritava e se empolgava ao falar do vazio da vida, da importância da felicidade, sonhava acordado enquanto dormíamos. Apenas as aulas que ele tentava dar a si mesmo e que não nos envolviam eram interessantes.
Acho que ele odiava a própria vida. Limitava-se suas letras às suas pornografias, suas palavras à vida de alguém, sua felicidade a momentâneos lapsos de verdade.
Fingia a vida e pretendia fingir a morte, talvez fugir para seu amor dos dezessete anos, fugir da hipocrisia da vida vazia, vida feia, que vivia.
Não é nada reconfortante, nada aliviante, porque ainda estou eu nos meus dezessete anos. Evoluir, evoluir, evoluir.
KADICHARI M.
criado por kadichari
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