8.10.08

Sol

Ela não tinha certeza se o sol estava por sobre ou por baixo de si. Talvez caminhando ao seu lado. O calor era tão intenso quanto a dor de cabeça neurodestrutiva, e ela não podia perceber mais que sua pele gritando por sombra, água, vento. Estava presa, no sol. Sombra, água, vento.

Imaginou em quanto tempo deixaria de resistir ao impulso de deitar-se e deixar-se no chão. Provavelmente até que o cubo espelhado ensolarado amarelo-quente queimasse tanto que não se importaria se uma área maior que a de seus pés estivesse em contato com o vermelho-sangue fervente do chão. Sangue fervente; boa descrição.

Seria aquilo lava correndo em proporções ínfimas ou seu pé finalmente já não tinha pele? Sentia os vasos, esvaindo-se. O sangue, mesmo quente, como líquido, representava um alívio. E ela já estava no chão.

Não foi tão ruim. Sangue era uma boa cama. Só esperava que não demorassem a encontrá-la, porque precisava saber de onde vinha o sol.

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:39 — Arquivado em: Crônicas

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