14.9.08

Advertisiment

(Seria melhor se fosse "Here’s the BEST of your fur coat")

ESSE É O RESTO DO SEU CASACO DE PELE

(ou, "ESSE É O MELHOR DO SEU CASACO DE PELE")

criado por kadichari    18:24 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

Moi / Chrome / Alanis

Há tempos eu não apareço aqui simplesmente pra falar. Sem fantasias, paredes e nuvens ou capas encobrindo palavras, verbinhos enfeitando tudo o que eu quero dizer e engancha na garganta (ou nas mãos).

Há tempos eu não venho simplesmente dizer como eu estou, e por que recentemente meus textos estão tão alheios a mim. Pareço estar voando em outra dimensão.

Pois bem, venho para incutar um novo conceito, digo, novo navegador: o Google Chrome, vindo (obviamente) da Google. Nada muito diferente do FireFox, mesmo que prometa muito para a versão final (ele ainda está na Beta). Ótimo, porém, para quem usa muitos programas pesados, ou freqüenta sites que exigem memória demais; ao contrário do Internet Explorer ou do Mozilla Firefox, quando uma aba/guia trava, somente ela trava: isso quer dizer que cada aba/guia funciona como uma janela independente, que apenas acontece de estar ali junto com as outras.

Isso é o grande "uau" do navegador Google, mas também tem a grande vantagem de carregar o Youtube e o Orkut e qualquer outro domínio da Google algumas vezes mais rápido. Na verdade, inicialmente todos os sites carregam mais rápido (chegaram a dizer 142 vezes mais rápido que o Internet Explorer e 9 vezes mais rápido que o Mozilla Firefox, mas disso não tenho fontes), mas não aconselho usá-lo para todos os sites porque ele ainda tem falhas terríveis na segurança.

Enfim, ele é até legal, apesar da aparência esquisita (ele não tem barras!) que as pessoas denominam "limpa".

E também, deixo aqui um videozinho básico da Alanis, para aquele que a chamou de emo (!!).

http://www.youtube.com/watch?v=prKhoypnLNg

Fikdik.

KADICHARI M.

criado por kadichari    12:40 — Arquivado em: Críticas, Excertos, Reflexões

13.9.08

Enchente

Eu provavelmente me arrependeria. Eu disse provavelmente? Ok, certamente.

Nunca houve um ponto favorável em trazê-la de volta pra minha vida. Nunca veio disso algo de bom. Mas não posso evitar; não podia. Até aprender que devemos resistir a coisas momentaneamente boas mas que ferram com toda a sua vida, ah, até aprender. Foram-se acho que umas quatro vidas. Entre as abstinências dela, entre as presenças dela. Ambas igualmente invasivas, como uma enchente que carrega todos os seus móveis.

Sim, todos os meus móveis. Só me resta a pequena almofada molhada que eu segurava; todo o resto foi embora. Minha almofada pulsando, irreparável agora. Porque agora eu sei que a abstinência é completa e vai durar por um tempo relativamente longo.

Não vou trazê-la de volta. Ela é o cigarro de maconha que eu nunca consegui provar sem tossir. Ela é a cocaína da overdose de risadas que eu imagino ter provocado.

Não vou trazê-la de volta. Minha almofada vermelha e molhada continua a espera, mas ela é a única coisa que sobrou da enchente e não vai jogar-se em tal precípicio. Mesmo rasgada e molhada ela continua inteira, e pretendo manter-me assim por algum tempo.

Não vou trazê-la de volta.

Por favor, volta sozinha!

KADICHARI M.

criado por kadichari    10:00 — Arquivado em: Crônicas

12.9.08

Rotina

Acho que minha felicidade mais plena eram aqueles dias em que andava pelas ruas à hora do jantar. Saindo da rotina por alguns minutos, só para sentir que nada perdia quando não tinha coragem de mudá-la.

Só aqueles fragmentos de conversas, talheres chocando nos pratos e os cheiros das massas ou do bom feijão, só aquilo era capaz de me entorpecer. Tem jeito de entender uma realidade tão longe da sua? Eu sentia as vozes altas baterem disritmadas ao meu coração, e sabia que aquilo não era pra mim.

Ah, pena. Pena daqueles que necessitavam de tanto calor. Eu lembro bem daquela família: pelo menos dez pessoas amontoadas em torno de mesas de plástico bamboleando com pesadas travessas, cheias de uma comida qualquer, e o cheiro se misturava às vozes e chegava a mim como rosbife falante, ambulante, que me acompanhou por toda a noite e me acompanha ainda.

Que diabo de rotina é essa? Que diabo de rotina exige tanto esforço, tanta tolerância?

Por que eu me submeteria a tal prova de paciência?

Qual é a grande vantagem de incluir-se em tais rituais hipócritas capitalistas sedentários nojentos cheios de baba e dentaduras?

E eu voltava à minha rotina. Sempre, sempre. Não sentia falta. Não senti falta. Nunca.

Não se sente falta do que não se tem.

Principalmente quando o gramado é mais verde do lado de cá.

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:41 — Arquivado em: Crônicas

10.9.08

Tears

- Oh, my gosh! - she joined her hands together on her foreahead, the way I know meant exasperation - You -are -such -a talker! Just stop for a second, and listen! And I don’t mean "listen to me", I mean, listen to yourself!

I didn’t answer, but that’s basic. I know I talk too much, but she always managed to control me by making me feel useless and humiliated. Well, I wouldn’t possibly be able to talk less when I was that nervous. Nervous about losing her.

What had happened again? I guess I forgot above all the talking.

- Just pay attention to how silly and stupid you’re being - and more humiliation. Maybe I deserved it, I don’t remember anything I said either.

- Maybe you should pay attention to how hard and bumming you get to be sometimes - oh, yeah, something like that. Just then I realized there were tears in her blue eyes. My blue eyes, full of tears! _ Listen, I’m sorry, I… I indeed am such a talker!

- Yeah - that’s all she could say, and, next thing I know, she was bursting into tears. Worse, she fended my hands off of her face - Just let them be.

 I guessed she was talking about the tears I was supposed to wipe.

- No, I have to wipe them, I can’t see you like this.

- Maybe you can. Maybe they’re yours this time. Don’t touch me. Just don’t - the whole sentence was interrupted by hiccups, except the "Just don’t" (even though it actually sounded like one), what showed me she really meant it. "Just don’t", like, never again.

I nodded. What else could I do? Got up, kissed her on the top of her head and went away.

Oh, well.

KADICHARI M.

criado por kadichari    16:01 — Arquivado em: Crônicas

9.9.08

*

Can I say it?

Can I sincerely say it?

Would you judge me?

KADICHARI M.

criado por kadichari    20:25 — Arquivado em: Críticas, confissões

6.9.08

Noite

- Boa noite - você diz ao entrar no elevador. Balbucio algo com mau-humor; odeio quando as pessoas fazem isso.

Não poderíamos simplesmente entrar e sair caladas, como qualquer pessoa normal? Pra quê você mostra educação? Eu não gosto dela, e nem de retribuí-la. Uma palavra sua e eu preciso estabelecer um senso de diálogo mínimo.

- Boa noite - você sorriu!

Nunca é simples, é? Não basta forçar-me ao contato, precisa empurrar-me fronte a simpatia tão nua, esfregando sua esponja áspera no meu rosto? Já está ruborizado o suficiente, obrigada.

- Te vi algumas vezes por aí; sempre ocupada. Considero-me privilegiada por ter sua companhia simples num elevador - putz! O que se responde a isso?

- Talvez você seja mesmo - eu sorri?

Pára de sorrir! Não me incita essa fragilidade fácil das pessoas felizes e nulas, nulas. Você é nula! Não sorrio de volta.

- Você edita a revista bem melhor que o ocupante anterior do cargo - certo, agora te olho de cima a baixo. Ninguém gosta disso, certo? Você - ainda - está - sorrindo!

- Não é difícil - olho pra frente, afinal, seu sorriso incomoda. São quase meia noite, eu quero ir pra casa sentar-me fronte ao meu laptop porque amanhã é domingo, e eu estou cansada dessa rotina de sempre. Você não sabe que eu sou solteira, solitária e carente; você não precisa sorrir pra mim.

- Nada é difícil pra você, certo? - certo, a essa eu olho com muita curiosidade. Em que andar estamos? O elevador se abriu. Você não sorri mais. Você nem está mais ali. Mas aonde…?

- Vai ficar dentro do elevador? - a porta está se fechando. Você sorri de novo à minha expressão estupefata e põe o pé no caminho. Aberto o compartimento, ainda estou paralisada.

- Você é um furacão?

- Não. Sou só um alguém cansado que pretende descontrair a si mesmo e aos outros. Mas se estamos definindo pessoas assim, você poderia muito bem ser uma tsunami.

E você se vira. E você sai. Simples assim.

A porta já está se fechando de novo. Quantas vezes?

Merda de boa noite!

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:51 — Arquivado em: Crônicas

Disposições

Ele sentou na mesa como se a possuísse (soou feio, eu sei, mas foi o que ele fez; não posso mentir). Ele soube, na hora, que o toco de cigarro que largara no chão alguns passos antes não passara despercebido por mim, mas não disse nada, nem eu. Algumas coisas nunca precisam ser ditas - ele sabe no que o condeno.

Enfim, ele se sentou, e juntou as mão em cima da mesa, ainda sem olhar para mim - medo, culpa; os olhos não me estavam acessíveis. Eu quase ri, aquele bebê chorão à minha frente outra vez. Por quê? Certas coisas não podem ser controladas, ele diria. Dane-se, ele não era uma coisa e podia muito bem se controlar.

- Então você vem, mais uma vez, para ficar calado - eu alfinetei porque sabia que ele não responderia de outra maneira. Por quê? Homens são assim, ele diria. Dane-se, eu fico com as mulheres. Aliás, deixo para as que podem agüentá-los o poder de perpetuar a espécie, porque eu já desisti faz tempo.

- Escuta… - tá, confesso, eu ri. Porque quando alguém começa um pedido de desculpas com "Escuta…", já é premissa para o discurso "Eu estou disposto a…" daqueles filmes que eu parei de assistir há muito tempo - Por que você sempre ri de mim?

Por que você sempre chora assim?

- Eu gosto de você! - ele quase gritou.

- Ah, gosta? - ele percebeu que eu fui sarcástica, ele SEMPRE percebia. Era um daqueles idiotas que fingia que não percebia para não se sentir machucado.

- Eu estou disposto a mudar.

- Está mesmo? - ele não disse nada. Não tinha como fingir não ter percebido agora. Tornou a olhar para as próprias mãos; frouxo! - Vai embora, procura alguém tão imutável e tão desesperado quanto você e depois me conta a história.

Ele me olhou de uma forma indescritível. Ele tinha uma ferida sangrando no olhar, eu vi. Eu percebi. Dane-se, ele deixou também a mim dessa forma várias vezes. Só observei enquanto atravessava a rua - puxando outro cigarro.

Sanidade mental é o que há.

KADICHARI M.

criado por kadichari    20:23 — Arquivado em: Crônicas

3.9.08

What If Together

Maybe when we die
we just dive
And if together
we’d be able to watch
each other falling

Maybe if we fell
we’d just feel
like pushed a little bit
We’d laugh a lot
if together

Maybe if you felt
like I do
you’d fall to death
And if together
we’d cringe

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:28 — Arquivado em: Poemas

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