27.9.08
Morte
O chapinhar de milhares de pés em poças no cimento; o ploquetear das gotas de chuva na janela; o tiquetaquear do relógio na mesa ao lado da cama; o tremelicar da imagem na tv; o farfalhar das asas do pássaro na gaiola; o gás a sair da lata do refrigerante.
Gotas na lata, calor. Água na mão. Tédio. Tira os tênis, coloca os tênis. A chuva engrossa. O pássaro pia impaciente, o relógio para. Bate no relógio. O tiquetaquear recomeça. Desliga a tv, liga a tv. Tira os tênis de novo. Bebe o refrigerante e sente falta do gás. Se pergunta quem estaria lá fora andando na chuva. As janelas batem, a chuva engrossa mais.
As janelas se abrem. Água no chão, na cortina, na tv, no pássaro. Fecha a janela. Deita no chão molhado, tira as meias. Levanta, derruba a lata. Desliga a tv molhada. Abre a gaiola do pássaro. Torna a deitar.
Cessa o chapinhar nas poças; cessa o ploquetear da chuva; cessa o tiquetaquear do relógio; cessa o tremelicar da imagem; cessa o farfalhar das asas; não há mas refrigerante na lata.
Olhos fechados. Abertos. Fechados. Como queira.
KADICHARI M.
criado por kadichari
17:50 — Arquivado em: 

Comentário por dime — 27.9.08 @ 20:28
Quebrado. Desordenado. Falta completa de síntese e unidade. Perfeito pra um bebado feito eu. Li, gostei. O ritmo intermitente combina com o q eu to passando agora. Não consigo ter uma linha de raciocinio então assim eu entendo perfeitamente.
Comentário por Manu — 28.9.08 @ 22:25
Rpz… tinha palavras aí que nunca vi na minha vida… mas ta valendo.
ótimo texto… uma linha de racicionivio massa.
Legal