27.9.08

Randomness

É verão em pleno outono? É outono na lua, isso posso lhe garantir. Talvez não possa garantir mais nada. Sofista seria eu se tirasse minhas conclusões de outros lugares senão minha própria cabeça, tem coisas demais nela. Não vai fazer falta. As estrelas correndo em minhas veias permeiam meu ser com o que não quero mais. Não quero porque não tenho como conseguir. Sístole, diástole. Sístole, diástole. Love me, love me not. Love me, love me not. Quero, não quero. Morto. Sem mais sístole, diástole.

O tempo perdido não existe. Não se pode perder o que não existe. Tempo é percepção, as forças influenciando objetos com o intuito de fazer você olhar e pensar: ‘Nossa, estou tão velho’. Eu perdi a percepção uma vez. Dormi e 8 horas sumiram. Ainda estou procurando-as, se alguém achá-las por favor me avisar. Quarta à direita depois dos últimos cacos de homem. Inadequação, fuga à regra, passível de punição simplesmente por não se encaixar. Encaixar-se significa perder o "eu" em benefício do "nós". A terceira pessoa do singular é realmente tão importante? Se importante fosse não seria ela a primeira? Esses jovens de hoje em dia não sabem o que fazem.

As vezes, não ter a mínima idéia é uma coisa boa. No resto das vezes é simplesmente entediante. As vezes o tédio é uma coisa boa. No resto das vezes é só algo sem nome porque "tédio" já havia sido usado. A diferença entre "uma garota" e "a garota" é "um". Um rapaz confuso. Um pensamento pernicioso. Um beijo não dado. Um gole a mais na taça da aleatoriedade. Randomicidade controlada. Disfarce suas intenções com o acaso. Funciona sempre. Com sempre eu quis dizer aleatóriamente. E com aleatóriamente eu quis dizer nunca.

Nunca diga nunca, a não ser que cite essa frase. É obrigatório o uso de "nunca" nesse caso. Você não pode falar "peixe-espada diga peixe-espada". Não soa o mesmo. Sei que fere o livre arbítrio, mas o que se pode fazer quando se está ferido além de ferir o próximo? Ferir o anterior? Ferir-se-ão todos. E tenho dito. Dito e desdito. Desisto. Do que? Ué, disto. Isto dito, gostaria de por favor pedir minha conta. Desacredito. No que? Isto. Maldito.

Nuvens fofas, arco-íris-es, o sorriso dela, patinhos e nuvens fofas. Estou triste. Estou alto. Estou altamente triste. Não tenho medo de altura. Tenho medo de largura. Han Solo atirou primeiro, mas não fez perguntas depois. O mundo quebrou. Não fui eu.

DIMEZITO

criado por kadichari    20:51 — Arquivado em: Crônicas, Excertos

Morte

O chapinhar de milhares de pés em poças no cimento; o ploquetear das gotas de chuva na janela; o tiquetaquear do relógio na mesa ao lado da cama; o tremelicar da imagem na tv; o farfalhar das asas do pássaro na gaiola; o gás a sair da lata do refrigerante.

Gotas na lata, calor. Água na mão. Tédio. Tira os tênis, coloca os tênis. A chuva engrossa. O pássaro pia impaciente, o relógio para. Bate no relógio. O tiquetaquear recomeça. Desliga a tv, liga a tv. Tira os tênis de novo. Bebe o refrigerante e sente falta do gás. Se pergunta quem estaria lá fora andando na chuva. As janelas batem, a chuva engrossa mais.

As janelas se abrem. Água no chão, na cortina, na tv, no pássaro. Fecha a janela. Deita no chão molhado, tira as meias. Levanta, derruba a lata. Desliga a tv molhada. Abre a gaiola do pássaro. Torna a deitar.

Cessa o chapinhar nas poças; cessa o ploquetear da chuva; cessa o tiquetaquear do relógio; cessa o tremelicar da imagem; cessa o farfalhar das asas; não há mas refrigerante na lata.

Olhos fechados. Abertos. Fechados. Como queira.

KADICHARI M.

criado por kadichari    17:50 — Arquivado em: Crônicas

23.9.08

Desculpas

- Como você acha que é morrer? - a voz dela veio fraca, e eu desviei das estrelas celestes para as no rosto dela. Ela olhava para mim, e parecia com medo.

Tornei a virar para o céu e puxei-a para um abraço meio de lado, tentando fazê-la sentir-me ali. Porque eu sabia que ela não estava sentindo. Eu sabia que há algum tempo ela não sentia; e a dor, quem sentia era eu.

- Não tenho idéia. Mas não importa.

- Eu gostaria de saber antes de acontecer.

- Eu gostaria de poder morrer só para te contar.

Num primeiro momento, não percebi que tinha pronunciado tal pensamento. Só quando senti a mão dela subir ao meu pescoço enquanto ela se apoiava no cotovelo para bloquear a minha visão do céu e ser meu foco.

- Desculpa - ela sussurrou. E foi assustador.

De repente vinham à minha mente todas essas imagens com a palavra mais improvável que ela poderia dizer. A palavra que estivera flutuando durante tanto, tanto tempo, mas que aparentemente nunca seria enunciada.

Eu senti as lágrimas dos meus olhos juntando-se às dos olhos dela, à percepção de que não havia nada mais entre nós.

Todos os jogos psicológicos acabaram naquele instante, o instante em que as estrelas da minha estrela encontraram os meus olhos. A vontade de rir foi suprimida por uma enorme decepção.

A decepção de perceber o quão idiota estava sendo. O quanto tive que trabalhar para acabar com tudo aquilo, como um aluninho de sétima série que quer manter a namorada mais velha, mais bonita e mais inteligente que ele. E o quanto ela não dava a mínima.

"Desculpa", porque eu começava a amadurecer. "Desculpa", porque eu pude ver claro o que acontecia.

Não preciso de desculpas.

KADICHARI M.

criado por kadichari    14:15 — Arquivado em: Crônicas

22.9.08

Words

There is something I’ve got to say. Something that’s erosing my vital organs pretty hard. Something that has been changing my beliefs, my behavior, my friends’ circle. I just have to say it. But can’t, and won’t.

Talk about confusion.

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:40 — Arquivado em: Reflexões

Kisses

"- What are you thinking?
- I was thinking what it would be like to kiss you.
- Really?
- No.
- Oh.
- No, that was just something I said now so that maybe I could kiss you."

KADICHARI M. (adivinha de onde eu tirei o diálogo)

criado por kadichari    18:59 — Arquivado em: Excertos

19.9.08

Felicidade

Se alguém lhe perguntasse, ali, no cume da mais alta montanha que ele fora capaz de galgar, ele diria que estava feliz. Ele diria que não, não havia nada melhor ou mais importante que aquele momento. Ele poderia até descrever-se como "no primeiro instante feliz de sua vida".

É claro que ficaria óbvio em seu olhar o brilho apaixonado que o cegava, que o impelia, que o amarrava e o fazia sentir tão seguro.

É claro que alguém faria um comentário sarcástico sobre como "idiota" e "homem apaixonado" eram sinônimos e sobre como ele errava em mostrar tal fraqueza.

E é claro que ele não ligaria.

E por escolha, ele não desceria da montanha. A neve e o vento e todos os contratempos seriam purificadores e serviriam para fazer o momento durar com mais intensidade.

Ele era intenso. Intensa era sua felicidade momentânea, assim como eterno era seu momento.

Assim como eternos são os meus, os nossos. Porque é eterna a felicidade de momentos eternos.

KADICHARI M.

criado por kadichari    17:00 — Arquivado em: Crônicas, Reflexões

Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar

Meu amor juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar

Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais la ra ra ra…

Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor e só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar

SEU JOBIM

criado por kadichari    14:48 — Arquivado em: Excertos

16.9.08

Enchente 2

Eu não conseguia nem me lembrar há quanto tempo não ria daquele jeito. Não podia; era enfraquecedor.

Um dia ao lado de tal alma era o suficiente para me bem-humorar. Por sobre todas as palavras não-ditas, as lágrimas não-vistas, os gritos não-ouvidos e principalmente por sobre a cinta que aperta forte meu coração durante todo o resto do tempo. Eu conseguia ficar bem.

E veja bem, eu não ficava bem como fico sempre, aquele bem em que pouco bem se torna bem demais pela escassez de bens na minha vida. Era bem de verdade. Bem de sorrir sem uma interjeição para isso. Bem de falar besteira. Bem de rir das besteiras faladas. Bem tipo bêbada.

Sim, ah, eu tenho minha vodca particular e inesgotável. Minha bebedeira sem danos ao fígado.

Porque ela sempre volta.

KADICHARI M.

criado por kadichari    22:00 — Arquivado em: Crônicas

15.9.08

Ô Coisinha Totosinha di Mamããe!

Nha, eu era assim. Olha, olha as dobrinhas e os furinhos e a pulserinha no bracinho! Não dá vontade de morder? Quando foi que eu aprendi a ler e deixei de ser assim?

(testando a nova multifuncional…)

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:19 — Arquivado em: Reflexões

14.9.08

Me, Myself and I

She sang. Oh, beautifully, she sang. And lying there in the sofa, the headset to her mp3 player isolating her from the world, the rather pinkish hair spread on her face, the loose pants and tight gym shirt making her look like a boylie girl, she would just sing. Or scream out loud, like the neighbors would say.

Don’t matter. To me, she was just like a little piece of heaven. She drove me to heaven.

In this rare moment, when I could sit in front of her and she wouldn’t notice it, I felt more peaceful than ever. I could see her muttering her own thoughts into those songs, and I could do it forever.

Because I knew she was mine. And for a while, I was all tenderness. I would see her smile and such love couldn’t possibly be described.

Peace. She’s my own particular and unique piece of peace.

And she’s aware of it.

KADICHARI M.

criado por kadichari    21:10 — Arquivado em: confissões

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