19.8.08

A Hora de Clarice

Não posso falar da obra de Lispector; só li frases soltas e o obrigatório "A Hora da Estrela", mas, putz: foda.

Não há uma história; a introspetividade é o charme. A introspectividade, as palavras de Clarice - ou de Rodrigo M. S, não se sabe. A impressão (e aqui eu uso "impressão" porque sabe-se lá se não foi proposital) é que ela escreve o livro à medida que ele lhe brota nas mãos. Esse foi, aliás, o motivo pelo qual iniciamente achei que não ia gostar do livro: ela se estende em palavras ao léu, afirmando ela mesma (ou ele mesmo) que sofre para colocar a nordestina do papel.

Depois das primeiras vinte páginas, porém, o livro corre. E corre como um rio, nos levando pela correnteza. Ao mesmo tempo excitada pela velocidade, e envolvida pelo molhar das águas, o desejo é virar-se e nadar contra a correnteza, tentando beber cada gotinha possível do estilo de Clarice.

Sim, estilo, é a palavra para esse livro. Estilo, foi o que me fez terminá-lo em uma hora e meia. Não a história, até porque, diga-se de passagem, isso quase não há; foi a forma que ela (ele) escolheu contá-la.

Descrever Macabéa por dentro, e escrever o mundo aos seus olhos, deixa ainda mais chocante os poucos acontecimentos. O descaso que ela toma por felicidade, a "cultura" que ela bebe do gota-a-gota dos minutos. Macabéa é apaixonante, quando sozinha em casa rodopiando fronte ao espelho. Macabéa é inocente, acreditando cegamente em em Olímpico, em Glória, em sua tia, na Madame Carlota. Em Hans. Na humanidade.

E dói dizer; Macabéa é tão burra! Burra, burra! Como pode alguém crer tão cegamente em tudo, em todos; viver completamente ao acaso, acreditando ser a vida o motivo de sua felicidade? Como pode alguém ser tão inocente, tão simples, tão modesta, tão insignificante até para si mesma? A pobre datilógrafa tem de ser uma santa, porque isso é burrice para qualquer outro ser humano.

Só fiquei com o pé atrás com o fato de ela ser nordestina. Parece que a Clarice se vestiu de Rodrigo M. S. para exprimir preconceitos execráveis. Mas, isso pode ser mais paranóia minha, mesmo.

Macabéa conquista, apaixona. Apesar de ser doloroso demais ler o último parágrafo, sabendo que esse foi o último livro de Clarice, recomendo. E leia mais de uma vez.

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:45 — Arquivado em: Críticas

17.8.08

E ACABOU!

Capítulo 21 - Aquele pequeno depois do fim, porque nenhum fim é universal (também chamado epílogo)

Ele tocou a campainha três vezes antes que ela atendesse, mesmo assim, abriu somente a fresta suficiente para que ele pudesse ver seus olhos.

- Você trouxe vinho! _ ela disse, observando as mãos inquietas dele.

- É. Posso entrar? _ perguntou, e ela olhou ligeiramente para trás, abrindo um pouco mais a porta e colocando toda a cabeça para o lado de fora.

- Daqui a pouco.

- Daqui a pouco? O que você está escondendo de mim, senhorita Horace? Tem aí outro homem, por acaso? _ ele ergueu uma sobrancelha, e ela riu.

- Só um, mas eu não me interesso muito por incestos, sabe. O John está arrumando as coisas, a gente estava… Brincando.

- Brincando?

- É. Luta. Ele está fazendo judô, mas tem pena de mim e me deixa ganhar. Ainda é divertido _ ela disse, e ele riu.

- Ainda arrumando as coisas? _ ela olhou para trás.

- Ainda. Quer esperar de outro jeito? _ ela sorria maliciosamente, e ele sorriu e beijou-a.

- Mãe! _ a voz de John reclamando chegou perto, ele abriu a porta por trás da mãe _ Só porque você trás vinho, não quer dizer que eu deixo você namorar com ela, Kandinsky.

Era um menino alto (mais alto que Rachel, pelo menos) e ligeiramente magro demais. Branco como leite, cabelos, sobrancelhas e cílios de um ruivo claro, próximo ao loiro ou laranja. Não vestia camisa, deixando à mostra o peitoral liso, magrelo e sem pêlos. Vestia uma calça cinza de malha folgada e estava descalço. O rosto bonito não tinha traços de Rachel, mas todas as características mais marcantes de Robert.

- É Kandinsk _ Charlie respondeu, quando Rachel puxou-o pela mão para dentro do apartamento _ E eu achei que a gente tinha um acordo.

- Ele não funciona aqui em casa _ John respondeu.

- O que houve? _ Charlie perguntou baixinho para Rachel, quando ela abriu a garrafa de vinho e encheu duas taças no balcão, enquanto o filho jogou-se no sofá e ligou a TV.

- Eu não deixei a Lily dormir aqui _ ela respondeu, ligeiramente contrariada _ Eu achei que a gente tinha superado esse assunto _ ela disse, mais alto, para que John ouvisse.

- Ah, superamos. Superamos, sim, eu concordei com tudo o que você falou. Mas o acordo era; eu deixo você namorar, você me deixa namorar. Se eu não posso namorar aqui em casa, você também não pode.

- Você pode namorar aqui em casa! Você não pode dormir com a garota, o que é muito diferente. John, sinceramente, você tem dezesseis anos _ ele se levantou e aproximou-se.

- E? Charles, você não concorda que eu já tenho idade e responsabilidade o suficiente pra isso? Tem um ano que eu e a Lily namoramos, e a mãe dela deixou!

- É, então por que você não vai dormir na casa dela, hein, Cenoura? _ Rachel perguntou, dando um gole na sua taça de vinho. Charlie engasgou.

- Sua mãe está certa _ disse.

- Eu sei que estou _ Rachel concordou _ Eu já te disse que eu não estou de impedindo de transar com ela, eu simplesmente não quero que isso aconteça na minha casa. Eu e o Charlie não fazemos isso aqui.

John arregalou os olhos, e Charlie engasgou novamente.

- Ah, por favor! Você não achava que a gente não fazia, não é?

- Você é maluca! _ John exclamou simplesmente _ E você, se eu tiver um irmãozinho você vai se ver comigo!

Ele tornou ao sofá, e Rachel riu. Charles olhou para ela.

- Como você está? _ Rachel hesitou, observando os cabelos ruivos espetados do filho aparecendo acima das costas do sofá.

- Eu estou bem, sim. Muito bem.

KADICHARI M.

criado por kadichari    17:58 — Arquivado em: Excertos

16.8.08

Alanis’s

If I’m masculine, I will be taken more seriously.
I’ve watched this experience raise them to pseudo higher levels.
I’d like you to be schooled and in awe.

I’m in the front row with popcorn!
How soon will I be holy?
I’ve lived as much hell as you have.

And therein lay the problem.
You took it upon yourself;
You know how much you hate to be interrupted.

How much will this cost, Guru?
I’d be the hero, and still it would not come.
I’m in the front row with popcorn!

I was afraid of verbal daggers.
How dare he?
So you were banished.

Ave Maria, Ave Maria…

I was afraid of your physical strength.
How long ’til enlightenment?
How much longer ’til you’ve completely absolved me?
I’ve watched you smile as the students bow to kiss your feet…
Do you see me hanging on to every word you say?

I would drink vodka, and still it would not come.
It doesn’t always have to be about you!
We said "let’s name thirty good reasons why we shouldn’t be together".
I started by saying things like "you smoke" "you live in New Jersey"
You started saying things like "you belong to the world".

I’m in the front row with popcorn!
How long will this take, Baba?
I’ve watched them leave their family in pursuit of your nirvana!

I’d have an orgasm, and still it would not come.
If I am famous, then maybe I’ll feel good in this skin.
I like the fact that you’re nothing like me…
But I have as much rage as you have.
Why are you so hypersensitive?

I have as much pain as you do.
I was afraid of your seduction, your rejection.
I’ve seen them overlooking God in their own essence
I’d be lying if i said i was completely unscathed
Would I be letting you win in my non reaction, yeah?

Because i can’t afford to be misread one more time!
I’m in the front row with popcorn.
I don’t know.

I’ve walked sometimes confused sometimes ready to crack open wide, sometimes indignant, sometimes raw…

Would i be whining if i said i needed a hug?
Who are you to tell me that I have unresolved problems?
Why do you affect me still?

I was hoping we could be raw together
But then how can I begin to forgive?
How can you just throw words around like grieve and heal and mourn?

I was afraid of your alcohol breath,
I would starve myself and still it would not come!

And how can I complain when I’m the one who reaches for it?
Because I can’t help wonder why you ask me!
Do you believe we are fundamentally judgmental?
Fundamentally evil?

Would you feel slighted if I said your love’s not enough?

KADICHARI M.

(montagem com músicas de Alanis)

criado por kadichari    17:44 — Arquivado em: Excertos, Reflexões

Crônicas de Nárnia (Vol. III)

Bom! (Pasme!)

Faz tempo, né? Li esse volume acho que antes das férias começarem, então perdoem-me por qualquer equívoco em relação a nomes e lugares.

Acho que é, dos sete, o que eu mais gosto. Sinceramente? O único que tem história. Não sei se isso tem algo a ver com o fato de que não se encontra nenhum Pevensie, nem nenhum outro filho de Adão ou Eva vindo do Mundo Estranho (o único em que isso acontece, na verdade; destoa dos outros em tudo); não sei se tem a ver com o fato de que é nele que conhecemos, realmente, o mundo onde Nárnia está.

Sim, pessoas, Nárnia não é um mundo. É um país. Circundado pela Arquelândia, a Calormânia, as ilhas solitárias, e além. É um país governado por Deus, digo, Aslam. E que vive em paz com os outros países, apesar de a Calormânia, governada em nome do Demônio Tash, insistir em importunar os lourinhos narnianos (tadinhos, gente!).

É nesse livro que fica claro que Lewis era um preconseituoso-mor, sim. Não é a questão dos conceitos religiosos turvos que aparecem nos livros, e isso é até interessante, diga-se de passagem (quem disse que eu não curto analogias e pregações? Admito que Lewis tinha um talento para catequizar crianças); preconceitos mesmo, daqueles que hoje são abomináveis (sim, porque ainda existem preconceitos sob apologias).

Exemplo? Fácil. O povo do sul, da Calormânia, adoradores de Tash (sim, ele usa esse termo, viagem, né? Não era melhor dizer adoradores do diabo, logo, pecadores, pessoas sem rumo e que vão para o inferno?), é um povo mau, corrupto, aproveitador, nojento, que tem habilidades (todos os tipos: em forje, em luta, em educação, em "angariar recursos e alianças") inferiores às dos narnianos, e às dos arquelândios também (a Arquelândia é pra Nárnia como o Canadá é para o Estados Unidos). Esse mesmo povo, é, hã… NEGRO!

Sim, sim, "suas caronas escuras e feias", "suas barbas espessas e sujas", "sua pele escura e grosseira, como eles". Negros.

Agora, adivinhem. Como são os narnianos e arquelândios? Lourinhos. Branquinhos. De olhos azuis como as águas ou verdes como as algas.

E a história é, basicamente, assim: um príncipe arquelândio (não lembro o nome dele) é seqüestrado e vai parar na Calormânia, e é criado por um pescador. Mas ele é louro, branco, de olhos azuis, fica óbvio para todos que ele NÃO é filho do tal pescador. Para todos, menos para ele, é claro. E quando o principezinho descobre, ah, é claro que ele foge. Para Nárnia e além!

Ele rouba um cavalo calormano - ou melhor, o cavalo de um calormano, porque descobre-se depois que aquele era um cavalo falante de Nárnia. Um cavalo falante de Nárnia que o ensina a montar e o ajuda a chegar ao seu destino.

No meio do caminho, eles conhecem a filha de um Tashbã (tipo de Lorde calormano), que foge com sua égua, rumo a Nárnia, para fugir de um casamento arranjado. A égua dela, claro, também é narniana.

E eles seguem juntos, entre guerras e leões. Aliás, não entre leões, mas com o Leão. Aslam, claro. Saudades dele?

Bem, essa é minha crônica preferida porque é também, de certa forma, a mais verdadeira e, religiosamente falando, é também a crônica que faz para mim maior sentido. Aslam traz nela respeito, e ensina lições dignas; até mesmo a noção de punição é suavizada, como eu acho que deve ser (principalmente por ser um enredo infantil).

A idéia de Deus, de regras, de bondade e maldade, de predestinação; convence. É um livro doutrinante, sim, e é também apaixonante. Dentre todas as crônicas, é, sim, a melhor. Aconselho também "A Cadeira de Prata" (falaremos dela adiante), mas não é nem de perto tão boa quanto esta.

Crônicas de Nárnia, Volume III, O Menino e seu Cavalo: um filme de Marcelo Rossi bastante melhorado.

KADICHARI M.

criado por kadichari    12:09 — Arquivado em: Críticas

Luzes

- O quê?

Ele sorriu e tornou a virar o rosto para os raios mornos e arroseados que já sumiam na linha do horizonte, espelhados no mar.

- Nada. Só dura alguns minutos, só isso - ela riu. Sim, só durava alguns minutos, então por que ele estava olhando para ela? Não perguntaria. Nunca perguntava, porque sabia a resposta, e se sentia lisonjeada demais só em imaginá-la.

- É um espetáculo lindo que nunca acaba - murmurou, e ele riu, olhando para ela.

- Como? Acho que acabei de falar o contrário disso - ela balançou a cabeça, e continuou a olhar para frente, para o sol já desaparecido, sentindo o vento frio e o escuro iminentes.

- Não foi isso que eu quis dizer. Desculpe, nem percebi. É só… - ela parou e virou-se para ele - Em algum lugar do mundo esse momento exato é o nascer do sol, certo?

- Creio que sim.

- Então. Será que… Será que não há, nesse momento, pelo menos duas pessoas assistindo a esse nascer do sol? Ou duas que moram um pouco adiante de nós, para quem o sol ainda não terminou de se pôr. Será que a todo momento, em algum lugar… Tem alguém observando o sol partir? Ou nascer? Ou…

- É um espetáculo que nunca acaba - ele concordou. Permaneceram observando o lugar onde deveria estar a linha que separa céu e mar. O escuro era pleno agora, e com ele também o frio, o vento, a areia, tornaram-se mais perceptíveis.

- Escuta - ela disse, mais para ter certeza de que ele ainda estava ali do que para qualquer outra coisa. Mas o fato foi que ambos pararam de respirar naquele momento. O barulho pareceu aumentar, e ele riu.

- É eletrizante, não? - não mais que o seu riso, ela diria. Mas era eletrizante e não lhe cabiam palavras. Buscou a mão dele no escuro, e foi um esforço demorado, já que não o podia ver. Teria sido um momento agoniante, se ele não tivesse percebido e posto a mão na areia para que ela a encontrasse. Sentiu o aperto gelado da menina e sorriu.

- É assustador - ela murmurou, e ele riu.

O barulho crescia a cada segundo, como se os estivesse a engolir. Ela aproximou-se mais dele, e o aperto de mão tornou-se um abraço.

- Você acha que um dia vai acabar? - ela sussurrou, tremendo junto ao tórax dele, agora de olhos fechados.

- O quê, eu e você? Nunca!

- Não, bobo, o espetáculo do sol.

- Ah… Esse, sim. Esse vai ter um fim.

- E como vai ser? - ele hesitou. Apertou-a mais perto de si, e todo o barulho esvaiu-se ou fez-se menos importante. O escuro tronou-se confortável e o frio… Que frio?

- Só o que me preocupa é que eu vou ter que procurar uma luz rósea artificial que possa criar o mesmo efeito sublime no seu rosto.

Ela riu.

- Não estaríamos mais aqui se o sol morresse.

- Ah, estaríamos. Eu e você? Nós vamos estar aqui sempre.

KADICHARI M.

criado por kadichari    9:21 — Arquivado em: Crônicas

10.8.08

Séries

Naruto; Death Note; Harry Potter; Os Simpsons; Eu, A Patroa e As Crianças; Friends; Heroes. Dá pra encontrar um padrão nas minhas séries favoritas? Porque eu já vi gente falando tão mal de todas elas (certo, eu ainda aceito reclamações de Heroes, com toda a questão "de quantos mais super-heróis nós precisamos?"), e gente tão diferente, que às vezes gostava de uma e não da outra; e, para mim, é tudo a mesma coisa (salveguarde os detalhes, pelamor!).

Tudo bem, misturei desenhos com animes com live action, vamos por partes.

Naruto e Death Note. Animes, tá, mangás, certo. Histórias com-ple-ta-men-te diferentes, you might say. Bem: são histórias que trabalham valores (supertrabalham, IMO); trazem protagonistas super determinados (de maneiras morbidamente diferentes, o.O); trazem amiguinhos do mal (tá, eu não resisti a comparar o Sasuke com o Ryuuk… E não diga que não tem nada a ver, ambos são fofamente desalinhados, mas de certa forma, não são maus - mesmo que eu ainda prefira o Ryuuk)… As tramas são muito inteligentes, muito mais originais que qualquer "A Favorita" por aí, e que realmente tocam, tocam fundo na personalidade humana. Mesmo.

Os Simpsons… Não tem nem o que dizer, né? Manifeste-se a criatura que não (pelo menos) admira o Bart, ou a Maggie, ou o Homer, ou as outras duas lá (hein?). Porque é uma puta forma de dizer: "SE LIGA NO QUE A SUA GERAÇÃO ESTÁ SE TRANSFORMANDO! NINGUÉM NEM GOSTA DA LISA!". Os Simpsons, é Os Simpsons, gente. Os Simpsons!

No nível de Os Simpsons, só que a live action e numa versão negra, está Eu, a Patroa, e as Crianças. Porque se aquilo não te dá nenhuma lição (é porque você já está imbecil demais XD) pelo menos você ri pra caramba. E rir, rir é algo que a gente precisa.

E por isso mesmo: Friends! Só porque eles se completam, e porque ninguém aguentaria ser amigo de nenhum deles - todos com suas específicas extravagâncias e falhas (e eu ainda digo que a Janice é a reunião da personalidade dos seis). Não sei o que dizer de Friends. Não é um humor inteligente, ou cético, ou, sei lá, negro. É um humor imbecil. Que nos deixa gargalhando imbecilmente fronte à TV (nessa linha ainda poderia citar Seinfeld, The New Adventures of Old Christine, etc., mas fecha em Friends, mesmo).

E tem Heroes. Heroes tem um quê de novela das oito, com todas as tramas, e subtramas, e cabos, e ligações e telas verdes. Tem um quê de X-men, mas de certa maneira… É melhor - não desmerecendo X-men, ou a Liga da Justiça, ou qualquer outra coisa. Mas qualquer pessoa - sensata e não fanática - que assista Heroes, e Smallville, e todas essas explosões de super-heróis, pode dizer que eles consertaram várias coisas (e erraram em várias, mas trouxeram o Sylar cute-cute, então tô nem aí  ).

Esqueci de alguma? (looking around) Ah, sim. Claro!

Harry Potter. Falem o que quiser da Tia Jo (ou do Daniel, ele é enrustido). Ela tem um dom. Um dom que muitos adorariam ter. O que ela construiu ao longo dos sete volumes é inexplicável, e pra quem acompanhou do início ao fim, é fácil ignorar qualquer crítica à maturidade da obra. Harry Potter é a obra "infantil" mais bem construída, mais inteligente, que eu já li (achou que eu ia dizer "que já foi escrita"? Não estou cega a esse ponto). Mesmo que a autora sofra da síndrome de Robinson Crusoé, mesmo que ela tenha feito uma merda no quinto livro, mesmo que tenham queimado todas as palavras dela nos filmes, cara… Não é só sobre magia, genialidade, sobrenaturalidade, ou qualquer coisa que você atribua. Nem é sobre amor. Sabe, eu conseguiria facilmente traçar uma linha da obra da Tia Jo até Dogville, por exemplo. É uma grande parábola (só eu tenho preconceito com esse termo) sobre a humanidade, em todos os aspectos. Uma super parábola - para quem conseguiu ligar "parábola" a "Paulo Coelho" (não devem ter sido muitos), nem me permitam começar a falar desse "mago" aí.

Valeu.

(Isso tudo porque eu terminei de ver a segunda temporada de Heroes)

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:38 — Arquivado em: Críticas

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