17.8.08
E ACABOU!
Capítulo 21 - Aquele pequeno depois do fim, porque nenhum fim é universal (também chamado epílogo)
Ele tocou a campainha três vezes antes que ela atendesse, mesmo assim, abriu somente a fresta suficiente para que ele pudesse ver seus olhos.
- Você trouxe vinho! _ ela disse, observando as mãos inquietas dele.
- É. Posso entrar? _ perguntou, e ela olhou ligeiramente para trás, abrindo um pouco mais a porta e colocando toda a cabeça para o lado de fora.
- Daqui a pouco.
- Daqui a pouco? O que você está escondendo de mim, senhorita Horace? Tem aí outro homem, por acaso? _ ele ergueu uma sobrancelha, e ela riu.
- Só um, mas eu não me interesso muito por incestos, sabe. O John está arrumando as coisas, a gente estava… Brincando.
- Brincando?
- É. Luta. Ele está fazendo judô, mas tem pena de mim e me deixa ganhar. Ainda é divertido _ ela disse, e ele riu.
- Ainda arrumando as coisas? _ ela olhou para trás.
- Ainda. Quer esperar de outro jeito? _ ela sorria maliciosamente, e ele sorriu e beijou-a.
- Mãe! _ a voz de John reclamando chegou perto, ele abriu a porta por trás da mãe _ Só porque você trás vinho, não quer dizer que eu deixo você namorar com ela, Kandinsky.
Era um menino alto (mais alto que Rachel, pelo menos) e ligeiramente magro demais. Branco como leite, cabelos, sobrancelhas e cílios de um ruivo claro, próximo ao loiro ou laranja. Não vestia camisa, deixando à mostra o peitoral liso, magrelo e sem pêlos. Vestia uma calça cinza de malha folgada e estava descalço. O rosto bonito não tinha traços de Rachel, mas todas as características mais marcantes de Robert.
- É Kandinsk _ Charlie respondeu, quando Rachel puxou-o pela mão para dentro do apartamento _ E eu achei que a gente tinha um acordo.
- Ele não funciona aqui em casa _ John respondeu.
- O que houve? _ Charlie perguntou baixinho para Rachel, quando ela abriu a garrafa de vinho e encheu duas taças no balcão, enquanto o filho jogou-se no sofá e ligou a TV.
- Eu não deixei a Lily dormir aqui _ ela respondeu, ligeiramente contrariada _ Eu achei que a gente tinha superado esse assunto _ ela disse, mais alto, para que John ouvisse.
- Ah, superamos. Superamos, sim, eu concordei com tudo o que você falou. Mas o acordo era; eu deixo você namorar, você me deixa namorar. Se eu não posso namorar aqui em casa, você também não pode.
- Você pode namorar aqui em casa! Você não pode dormir com a garota, o que é muito diferente. John, sinceramente, você tem dezesseis anos _ ele se levantou e aproximou-se.
- E? Charles, você não concorda que eu já tenho idade e responsabilidade o suficiente pra isso? Tem um ano que eu e a Lily namoramos, e a mãe dela deixou!
- É, então por que você não vai dormir na casa dela, hein, Cenoura? _ Rachel perguntou, dando um gole na sua taça de vinho. Charlie engasgou.
- Sua mãe está certa _ disse.
- Eu sei que estou _ Rachel concordou _ Eu já te disse que eu não estou de impedindo de transar com ela, eu simplesmente não quero que isso aconteça na minha casa. Eu e o Charlie não fazemos isso aqui.
John arregalou os olhos, e Charlie engasgou novamente.
- Ah, por favor! Você não achava que a gente não fazia, não é?
- Você é maluca! _ John exclamou simplesmente _ E você, se eu tiver um irmãozinho você vai se ver comigo!
Ele tornou ao sofá, e Rachel riu. Charles olhou para ela.
- Como você está? _ Rachel hesitou, observando os cabelos ruivos espetados do filho aparecendo acima das costas do sofá.
- Eu estou bem, sim. Muito bem.
KADICHARI M.
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