Chato.
Pra todos os que saíram do cinema, depois de assistir a Príncipe Caspian, pensando "que merda de filminho adolescente! Por que eles não fizeram como o primeiro? Que horror! Odiei!", ou afins, chegaremos lá.
Primeiro, o livro. Chato! Toda a idéia dos Telmarinos é bem difusa; continuo sem saber de onde e pra onde eles vão. Afinal, se Caspian tem direito ao trono de Nárnia, ele é narniano, descendente do Rei Franco, o primeiro, lá de O Sobrinho do Mago (acho que nem falei dele, por sinal). Eu tenho duas teorias: "telmarino" é como eles chamam os filhos de Adão e Eva por lá (huahua, tosco).
Ou, toda essa história de Teimar (é o nome do reino) surgiu como uma "rebelião" de Nárnia, uma pequena divisão que começou com um rei intolerante aos animais falantes, e que desenvolveu-se com o assassinato desses animais, e com o afastamento dos homens da floresta, com medo da fúria de Aslam (todos os reis prometem a Aslam que vão tratar dos animais falantes como iguais quando assumem o trono). Isso, claro, é suposição minha, porque Lewis não faz questão nenhuma de nos deixar isso claro.
Assumirei que a segunda opção está correta. Sigamos.
Caspian, pobre menino, teve seu pai morto por Miraz; seus Lordes protetores afastados por Miraz; sua ama narniana que lhe contava as histórias da antiga Nárnia afastada por Miraz; e quase foi morto por Miraz, quando este teve o próprio filho. Só nesse parágrafo, conte umas boas noventa páginas (em comparação - nunca façam isso, nunca façam isso! - a Harry Potter, Principe Caspian seria como a Ordem da Fênix: puta enrolação).
Caspian, então, foge. Para a floresta, onde ele sabe que os homens de Miraz não tem coragem de entrar. Ele toca a trompa da rainha Susana, anteriormente presenteada a ele pelo tutor que substituiu a ama narniana; e segue reunindo-se com os animais, tentando convencê-los a lutar do seu lado, contra Miraz, para que eles possam "retomar" Teimar e reinar numa Nárnia feliz novamente. Enquanto isso, Miraz reúne exércitos para atacar pelo outro lado, derrubar de vez aquela "floresta maldita".
Ponha aí mais cem páginas. Quando os quatro reis retornam a Nárnia, Lúcia vê Aslam, mas ninguém acredita nela (por que sempre ela é desacreditada? Eles não lêem as próprias crônicas? Ninguém sabe que Lúcia é a toda-verdadeira que NUNCA mente?), e eles acabam se perdendo pela Floresta enquanto a batalha esquenta do lado de Caspian. Muitos narnianos morrem, e telmarinos também, mesmo que nem ao menos se comparem essas às baixas de Nárnia.
Quando percebem que têm de voltar, todos eles "encontram Aslam". Envergonhados, tornam a seguir seu caminho, o caminho certo, agora, e salvam a pátria, com Aslam clamando por árvores lutadoras no caminho.
Mais cem páginas. Parabéns, você conseguiu terminar o Príncipe Caspian!
De novo comparando (não façam isso, não façam isso!), é como ir ver a Ordem da Fênix depois de ler o livro. Esperança! Existem roteiristas e diretores com bom senso, e que sabem onde inventar, e onde cortar, e como transformar todas as ladainhas escritas em boa fotografia (por favor, alguém tira o Kloves de HP!!). O filme não é dos melhores, mas, ah, ele com certeza melhora e muito o livro.
Livro, por sinal, meio sem significado. Conhecemos Caspian, certo, ele está lá nas próximas duas crônicas, mas… Não, não é um bom livro. É inclusive o culpado por eu ter dado uma pausa de quase dois meses na leitura dos volumes (vai continuar nesse ritmo? Ah, nem!).
Felizmente, Príncipe Caspian é uma excessão. Prometo trazer algo melhor para os próximos.
KADICHARI M.