29.7.08

Je Ne Regrette Rien

Eu sentei pra assistir Piaf sem ter a mínima - a mínima mesmo - idéia do que estava prestes a __________ (aqui você pode escolher entre ver, ouvir, sentir, presenciar, viver).

Até você entender a linha da história (o que nem propriamente acontece), o filme joga com todas as suas sensações. É chocante, é maravilhoso, é muito, muito bem feito.

Edith Piaf, uau! Não, não sabia quem era (diga o que quiser). E, hã, já sou fã. Toda a trajetória. Toda a rabujice. A velhice precoce, a morte - sublime. Sublime!

Não sei o que falar. A trilha sonora, a ambientação, os fatos jogados ao esmo. As peças secundárias se movendo e lá vai Piaf, sua saúde frágil e sua voz retumbante, desmaiando em palcos e fascinando até aos americanos.

Não, não se arrepende de nada.

E você com certeza não vai se arrepender de ver o filme.

KADICHARI M.

p.s.: o blog fez uma ano dia 07/06 e eu só me toquei agora ¬¬

criado por kadichari    19:46 — Arquivado em: Críticas

26.7.08

=X

Robert pousou as sacolas no chão ao lado do carro e começou a tatear os bolsos pelas chaves. Praguejou ao não encontrá-las, e curvou-se por sobre as sacolas, esperando que não as tivesse deixado com Rachel. Estava verificando já a terceira quando viu botas pretas pararem à sua frente.

- Muito bem, coroa, o que está fazendo? _ ele ergueu a cabeça. Era o segurança do estacionamento.

- Eu estou procurando minhas chaves _ respondeu, sem prestar-lhe muita atenção.

- Nas sacolas de alguém? _ percebeu o Tom hostil do outro e se levantou.

- São da minha mulher, cara. Relaxa. Só quero colocá-las no carro, mas não encontro as chaves.

- E eu devo acreditar nisso porque…? _ Robert girou os olhos.

- O quê, você quer identificação? Ok _ ele puxou a carteira do bolso traseiro e entregou ao homem suas carteiras de identidade e motorista _ Quer checar os dados no seu computador? Quer verificar minha ficha policial, saber em que hotel eu estou hospedado, o nome da minha esposa? À vontade. Pode ir. Eu vou continuar procurando minhas chaves aqui _ o segurança verificou as fotos nos documentos e olhou para ele.

- Vou verificar mesmo.

- Ótimo! _ Robert exclamou quando ele já estava saindo _ Como se eu não tivesse nada mais para fazer…

- Essas chaves que vocês ‘tá procurando? _ um homem vestido em um terno puído e com a barba por fazer perguntou. Ele ergueu-se e estendeu a mão para o chaveiro.

- Sim, obrigado _ o homem tirou o chaveiro do alcance dele.

- Posso dar uma volta no carro?

- O quê?

- Vamos lá, cara, só uma volta! _ ele ria. Robert irritou-se.

- Me dá as chaves, figura _ disse, sério, ainda com a mão estendida. O homem ficou sério.

- Figura? _ ele olhou para um lado e para o outro _ Então vamos fazer assim, figura. Eu vou abrir o porta mala, você vai colocar as compras lá, e nós vamos dar uma volta até o banco mais próximo _ ele ergueu um lado da camisa para mostrar uma arma encaixada em sua cintura _ E então?

- Tudo bem _ Robert sussurrou, e o homem encaminhou-se à traseira do carro. Quando ambos já estavam sentados dentro do veículo, ele tirou a arma e apontou-a para Robert com uma mão, fazendo o carro deslizar suavemente pelo asfalto.

- Direção hidráulica é o que há, você não acha? _ ele zombou, e Robert não disse nada _ Você é bonzinho mesmo, não? _ ele tornou a provocar, coçando a cabeça com o cano da arma. Robert aproveitou para pular em sua mão.

O carro vacilou para um lado e outro na pista, cantando pneus, por alguns minutos, até o tiro ser ouvido e ele parar; para logo em seguida disparar para a saída, quebrando a estrutura da guarita.

KADICHARI M.

criado por kadichari    14:31 — Arquivado em: Excertos

imbecis

Opa, olha ele lá.

Chegou fingindo ser outra pessoa.

Chegou sorrindo pra tudo e pra todos.

Chegou tentando conquistar espaço.

Mas que imbecil!

Quando ele pára sabe sua mediocridade.

Quando ele fala fica clara a ingenuidade.

A gente sabe que ele não consegue dormir.

Mas que imbecil!

Maquia os defeitos e sorri.

Inventa histórias e se cobre nelas.

E chora quando percebe que o cobertor está furado.

Mas que imbecil!

Esse traidor não merece nem atenção.

Desperta pena e a gente finge que se deixa enganar.

A gente sabe que ele não consegue dormir.

Mas que imbecil!

Opa, olha ele lá.

Melhor parar de comentar.

KADICHARI M.

criado por kadichari    10:32 — Arquivado em: Poemas

25.7.08

Discussão (divisão) de uma autoconsciência

Você sabe por quê. Você sabe. Você simplesmente não atende nunca às minhas expectativas!

Que expectativas? Você era a sem expectativas aqui. Não era? Não era você que dizia "tanto faz" o tempo todo? Ora pois, agora tanto faz pra mim! Não importa, não me importam suas expectativas. Porque você insatisfez as minhas há muito tempo e tanto fez.

Isso é impossível! É calúnia! Você me conhecia exatamente por não esperar nada, e gostava disso!

Você esperava de menos. Eu era quem não esperava nada. Não de você, pelo menos.

Não, não, é sempre o resto do mundo, não é? As coisas não podem ficar entre nós duas, você tem que levar pro mundo! Ninguém se importa com a gente tampouco, sobre eles você realmente não deveria ter expectativas. Mas tinha, e magoou-se, porque você sabe, sempre soube que as pessoas não são passíveis de confiança. E agora clama não esperar nada; certa estou eu!

Certa por que, por achar que consegue destruir o mundo sozinha?

Sozinha não, com você! Deixemos de ser tão crédulas no mundo! Somos céticas! Céticas!

Não, não somos, somos cínicas! Principalmente você e seu discurso individualista; você nunca cumpre as promessas, nunca atende às próprias expectativas.

Está falando de mim ou de você?

De nós. De nós!

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:29 — Arquivado em: Crônicas

23.7.08

Potterheaven

E isso aqui ficou parado por tempo demais, minha gente…

Esses dias, eu parei pra pensar. Tanta coisa acontecendo, e tanta coisa mesmo!

Parei. Parei de escrever, de ler, de estudar. As duas últimas semanas das minhas férias foram dedicadas quase exclusivamente ao repensamento da minha vida. Das minhas prioridades. Dos meus amigos.

E, lá no meio, veio a seleção do Potterheaven, e, ah, feliz³³³³ em dizer que você está lendo um texto da mais nova colunista e tradutora de lá.

E tem a guitarra.

E tem pessoas especiais, tem.

Meu sol já está começando a aparecer.

KADICHARI M.

^^

criado por kadichari    17:54 — Arquivado em: Reflexões

5.7.08

Júlia!

E não ficamos sem assunto. Na verdade, eram eles tantos que alguns acabaram cortados pela metade, esquecidos, jogados, engolidos pela avalanche que era conversar com ela.

Tanto tempo! Já tinha até me esquecido do que era ter alguém em sintonia com minha pessoa. Já tinha até me esquecido como era gargalhar tanto. Já tinha até me esquecido dos espirros e risadas escandalosos.

Ah, eu prometi um texto porque já tinha dele o início, mas percebi que não há o que falar. Falar o quê? Júlia é amiga. A minha, a nossa CDF-mor. Porque o quarteto não está incompleto, só separado, não é?

Você está aqui, Juli! Sempre!

KADICHARI M.

criado por kadichari    17:42 — Arquivado em: miguxos!

1.7.08

As Crônicas de Nárnia (Vol. II)

Existe uma máxima entre os cinéfilos-leitores de plantão, que diz mais ou menos isso: "Um filme nunca é tão bom quanto poderia ser, se você tiver lido antes o livro correspondente". Sim, sim. Virão comparações, e, no final, aquele inevitáveis "ah, mas eles não incluíram minha parte preferida!". Assistir ao filme sem ler o livro é, basicamente, uma oportunidade de curtir a película sem interferências e, quando finalmente ler o dito cujo, perceber que todos os pequenos cortes ainda permitem que tudo faça sentido.

Claro, já encontrei alguns filmes que me satisfizeram mesmo que o primeiro contato tenha sido o livro - Orgulho e Preconceito, por exemplo. Pois bem, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é uma dessas excessões.  E uma excessão bem particular.

Essa Crônica começa com uma explicação pequena e fácil - como todo o resto - sobre por que os Pevensie estão na casa do Professor Kirke (que é o pequeno Digory do primeiro livro). Palavras curtas e secas, como se não importasse muito. Ponto para o filme, com toda aquela introdução melosa. Aliás, nessa introdução começa já o que é basicamente o melhor aspecto do filme: eles corrigiram lindamente a ignorância de Lewis (e por ignorância, por favor entendam que não o estou chamando burro!).

De uma maneira bizarra (já usei esse termo antes?), C. S. coloca Edmundo como uma pessoa má. Uma pessoa que não teria motivos pra fazer o que fez, que só queria humilhar e ser cruel, que andava no caminho do mal. Edmundo é uma criança. Uma criança, que tem ciúmes da irmã mais nova - Lúcia é, afinal, a mais fofa dos quatro, e reflete, por coincidência, a afilhada do autor -; um menino que é subjugado pelo poder confiado ao irmão, que ele sabe não merecer, pois é Pedro também uma criança; e, principalmente, uma criança que gosta de doces, que está afastada dos pais, que procura um apoio e o tempo todo recebe esporros de seus irmãos. Ele tinha motivos.

O que me parece extremamente forçado é a menção do mau, mau, mau Edmundo. Mesquinho, malvado, gosta de humilhar, mau, imbecil; são todos usados mais de uma vez para descrever o menino. Quando, ao receber o suco da Flor de Fogo de Lúcia, para ser curado, "ele estava de pé, não só curado dos ferimentos, mas com uma aparência bem melhor do que antes. Com uma aparência melhor até do que no tempo em que entrou para a escola e começou a seguir pelo mau caminho. Agora, não. Já podia olhar as pessoas de frente."

Os roteiristas do filme, felizmente, perceberam o quão antiquado seria retratar uma criança de tal modo. E fizeram um trabalho bonito, que compreende não só o que de errado Edmundo faz, mas as atitudes arrogantes de Pedro, o modo como ele gostou do "carinho" da Feiticeira, e tudo o mais já citado acima. (Confesso que Edmundo é uma graça e o meu preferido; principalmente porque já estou cá a uns dois livros d’O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa).

Claro, eles também corrigem coisas básicas como a folha em branco que é Susana (sério, sem opinião e com falas escassas, é só uma seguidora de Pedro - e isso continua até A Última Batalha, porque Susana claramente não era a personagem preferida do autor). E de certa forma, a simplicidade com que tudo se desenvolve e, principalmente, se resolve, é bem mais verossímil nas telonas (onde os acontecimentos devem ser resumidos em duas horas).

Certo, alguns pontos para o filme. Tornemos para o livro, agora: você já viu o filme e pretende ler as Crônicas? Passe direto pelo Volume II. O Príncipe Caspian foi, sim, bastante modificado, talvez traga algumas surpresas (boas ou ruins; surpresas), mas não, não leia o Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupa!

Com todo respeito, o livro é um filme (ou O filme). Não traz em si a força das palavras, o impacto que as impressões e opiniões causam, as descrições exatas e felizes da literatura, aquelas que te fazem rir e chorar. As Crônicas são narrativas infantis, e como narrativas infantis, são simplesmente narrativas. Repito, não faz diferença. O livro chega a ser bom. O entretenimento corre rápido, flui e acho que foram os livros que mais rápido li até hoje (três crônicas em dois dias). Mas falta algo. 

Ponto para o livro: os filmes não deixam tão claro a expressão "Santíssima Trindade" incutida em Aslam. É difícil explicar em poucas linhas: ele é onisciente, onipresente e onipotente; ele sabe o que se passa nos corações das crianças; a menção ao nome dele aquece e jubila a todos - menos, é claro, a Edmundo ("ele é mau, mas é irmão", disse Pedro), que sente horror e desespero quando ouve o nome do Leão.  "Pelo Leão", "Em nome do Leão", "Pelas jubas do Leão", "Em nome de Aslam", são básicos no enredo.

Depois de assistir ao filme, é o como se você estivesse simplesmente o revendo, em mais tempo, com os conceitos e preconceitos de Lewis. Enfim:

As Crônicas de Nárnia, Volume II, O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa: Paixão de Cristo.

KADICHARI M.

criado por kadichari    19:11 — Arquivado em: Críticas

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