29.6.08
As Crónicas de Nárnia (Vol. I)
Raso.
O Volume I, O Sobrinho do Mago, não passa de uma grande (nem tanto, as 68 páginas no adobe passaram em três horas) introdução, que, sim, é completamente desnecessária. Certo, não completamente, é interessante, mas isso só aos que clamam não entender o porquê de os filmes começaram a partir do segundo volume das crônicas.
Primeiro, houve a especulação: estariam eles produzindo as crônicas em ordem de lançamento, não cronológica? Bem, creio que eles apenas descartaram o que poderia resultar num curta-metragem, sem grande ação ou aventura.
O Volume I, é o ano 0 de Nárnia. É quando o primeiro Filho de Adão (o Professor Kirke em cuja casa os Pevensie se hospedam durante a guerra) chega ao grande Nada com sua amiga Polly, um cavalo, um cocheiro, seu tio e, por eventos desencontrados, a Feiticeira Branca e um pedaço de poste. Ao cantarem para passar o tempo, despertam o canto de Aslan, e as coisas começam a surgir. O pedaço de poste que a Feiticeira carregava cai no chão e nasce, um pequeno postezinho! Sim, o Ermo do Lampião!
E o Guarda-Roupa, ah, sim, ele é mágico porque é feito de uma macieira plantada no nosso mundo, mas com sementes narnianas. Virou portal.
Enfim, nada demais. Escrita simples, muito simples, facilmente imagináveis (quando for falar do Volume II, isso vai ficar mais claro). Tudo sai tão fácil, tão magicamente. As alusões à Bíblia, ao Deus Aslam (Por Aslam, o criador; em nome de Aslam; Aslam é a única salvação; a pronúncia do nome de Aslam causa nas crianças uma sensação de Maravilha - a não ser no mau, mau Edmundo! - e, ops, isso já é d’O Leão, A Feiticeira, e O Guarda-Roupa), chegam a ser incômodas, e fica claro, bem claro que a intenção dos livros é recriar os livros sagrados em uma versão infantil.
A simplicidade se estende por tudo, e os valores espalhados pelo livro chegam a ser bizarros no âmbito atual. Lewis escreve "creio eu, no entanto, que Digory não teria de modo algum colhido a maçã para si mesmo. Coisas como NÃO FURTAR eram naquele tempo muito mais entranhadas nas cabeças dos meninos do que hoje", espera, creio eu? Sim, o tempo todo. Coisas como "vamos parar aqui e seguir para onde Tio André estava com os animais"; "penso que"; "creio que", estão presentes o tempo todo e todo o tempo na narrativa. Sim, é uma tentativa de aproximação infantil, que descreve o livro e não sua história.
E a maçã mencionada, de certa forma remete Adão e Eva no Jardim do Éden. Digory não deve comê-la ou usá-la para seu próprio bem, mas a Feiticeira a come; mantém-se jovem para sempre (até Aslam comê-la? Ah, isso é do filme, no livro ele só a mata, mesmo); e é expulsa de Nárnia. Expulsa de Nárnia! Vai para o Norte e começa a se fortalecer. É quando o mal assume (o Grande Inverno, disso falarei depois). Enfim:
Crônicas de Nárnia, Volume I, O Sobrinho do Mago: Gênesis (opa, isso também não é o Volume I de Heroes?)
KADICHARI M.
(sim, dei para fazer críticas agora. ¬¬ . Mas pelo menos por enquanto, vai ser só dos livros de Nárnia mesmo)
p.s.:
Ordem de Lançamento das Crônicas:
O leão, a feiticeira e o guarda-roupa (1950)
Príncipe Caspian (1951)
A viagem do Peregrino da Alvorada (1952)
A Cadeira de Prata (1953)
O Cavalo e seu menino (1954)
O Sobrinho do Mago (1955)
A última Batalha (1956)
Ordem Cronológica das Crônicas:
O Sobrinho do Mago (1)
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1000)
O Cavalo e seu Menino (1014)
Príncipe Caspian (2303)
A Viagem do Peregrino da Alvorada (2306)
A Cadeira de Prata (2356)
A Última Batalha (2555)
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