21.5.08

Passado…

Ele tocou a campainha por alguns minutos antes que alguém atendesse. Temia que ela tivesse saído, mas não, estava lá. Abriu a porta, e parecia no mínimo depressiva.

Usava óculos escuros enormes, mas ele sabia que havia olheiras por trás deles. Ele a conhecia bem demais.

Ela olhou para ele por alguns segundos antes de tentar fechar a porta, mas ele segurou-a.

- Me escuta _ murmurou. Ela suspirou e parou, olhando para ele _ Eu não esqueci, Amy. E nem você esqueceu, eu tenho certeza. Três anos, não é?

- Essa é uma data meramente simbólica _ murmurou Amy, e Rupert sorriu.

- E você não esqueceu mesmo! _ ele ergueu a mão esquerda para ela, mostrando um anel prateado _ Nunca tive coragem de tirá-lo.

Amy sorriu, e mexeu na própria mão esquerda. Também não tinha tirado. 

Tudo bem _ sussurrou, e desbloqueou a porta, deixando-o entrar.

- Amy… eu não vim aqui só por causa disso. Eu vim aqui pra te pedir desculpas. Eu sei o quanto eu te machuquei, e você não sabe o quanto eu estou me odiando por só ter percebido isso agora. Eu– Eu não queria ter batido no Josh.

Ela olhou diretamente nos olhos dele, séria.

- Dá pra ver nos seus olhos que você não se arrependeu de ter batido nele _ disse Amy. Rupert abriu a boca para falar, mas ela não deixou _ Mas pra você ter vindo aqui pra me dizer que se arrependeu… Acho que você percebeu que estava errado, não é?

Rupert olhou para ela, incapaz de falar nada.

- Eu não estou te condenando por bater no Josh, ele realmente merecia. Mas você sabe que não era isso o que eu queria que você aprendesse, não é?

Rupert olhou rapidamente para baixo, depois olhou para ela novamente. 

- Eu fui um egoísta. Eu fui um idiota, um cavalo, eu não estava vendo as coisas. Eu estava cego, Amy, eu não sei se por amor ou por… sei lá, ciúmes. Não, não eram ciúmes, era uma espécie de vaidade. Eu não sei até que ponto eu ficava com você porque eu gostava de você e desde que ponto eu passava a ter você como um objeto de coleção. Raríssimo _ ele sorriu ao acrescentar o adjetivo. Amy pegou suas mãos e ficou nas pontas dos pés para beijá-lo.

- Tudo bem, Rupert _ ela murmurou, sem afastar o rosto do rosto dele, tirando os óculos _ Você não precisa falar. Eu não estou exigindo nada de você.

Ele pegou no queixo dela, suavemente.

- Eu preciso falar. Eu preciso tentar amenizar todas as dores que eu te fiz sentir. Eu preciso disso _ Amy olhou para ele, um brilho quase eufórico invadindo seus olhos e seu sorriso.

- Bom que você esteja voltando pra mim… _ ela sussurrou, abraçando-o forte.

- Eu sempre estive com você, Amy… Mesmo de longe, mesmo morrendo de ciúmes, mesmo zangado com você, eu nunca deixei de ser seu. Só seu.

- Como é bom ouvir isso _ Amy sussurrou, apertando mais o abraço, quase se pendurando no pescoço dele _ Depois de tudo que aconteceu hoje, eu só… eu só conseguia pensar em quando eu ia voltar a ouvir algo assim de você.

Rupert separou um pouco o abraço, olhando nos olhos dela.
- Nós estamos sozinhos aqui? _ perguntou, a expressão estranha.
Amy suspirou.

- Completamente sozinhos _ respondeu.

criado por kadichari    18:40 — Arquivado em: Excertos

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