30.4.08

Adeus…

E não parecia haver suficientes despedidas.

Por toda a semana saíram, conversaram e riram e sempre na hora de dizer adeus, lhe vinha uma lágrima nos olhos e ela não conseguia falar nada. Recebia um abraço da outra e deixavam a despedida para depois.

Marcariam outro dia, outro adeus. Deviam manter-se juntas o máximo possível, não era mesmo?

Acabou a semana. Chegou o sábado e com ele o choro. A mensagem de madrugada, "acabei de entrar no avião, e você estava certa, minha claustrofobia atacou". Tão simples.

Nenhum tchau, nenhum adeus. E a sensação de coisa inacabada pulsava nela como a outra nunca imaginaria. Afinal, nem ela imaginaria. Nunca ninguém a tinha preenchido tão por completo para deixar tal vazio em seu peito.

O soluço era mais que um soluço quando ela enterrou-se na cadeira giratória em frente ao computador. Revia aquelas fotos, aqueles textos. Ouvia aquelas músicas, aquelas gravações.

E o sorriso não era mais radiante, era molhado; os olhos não eram mais pontes, eram poços; nenhum adeus.

Como prever, como se preparar para algo como aquilo? Como não deixar-se apaixonar por tão meiga e simples menina?

Menina que não parecia perceber seu encanto. Menina que não parecia ligar pro seu pranto.

E então ela parava, naquela foto. Aquela em que as duas estavam na montanha russa - como ela conseguira tirar aquela foto, não sabia, mas estava lá, e estava também em um quadro na parede do seu quarto. E via o sorriso, e via o olhar.

Tão simples.

Pensava se tinha algum significado para ela. Nenhum adeus.

Tão simples.

A única parte correspondida de seu amor era a paixão, e aquela cumplicidade provinha somente da amizade anterior. Era a única explicação. Mas nenhum adeus?

Resolveu apelar. Pegou o celular e respondeu a mensagem. Tão simples.

"Adeus"

Achou que não ia obter resposta. Afinal ela devia ter desligado o celular no avião. Suspirou, soluçou.

"Até logo. Você não acha que eu conseguiria dizer adeus pra você, não é?"

KADICHARI M.

p.s.: escrito ontem, não postado porque o servidor tava bugando. E o eu lírico que previu como eu me sentiria hoje. Adeus…

criado por kadichari    20:10 — Arquivado em: Crônicas, Reflexões

26.4.08

Velejador / Sailor of seas

Vão aí dois textos que são na verdade o mesmo: o em inglês surgiu primeiro, e foi elogiado pela consultora (valeu, Júlia!), que disse: "posta!". Mas porque eu quis ser democrática, pelos leitores não-fluentes em inglês, e porque eu sou brasileira, afinal!, resolvi fazer uma versão em português, que apesar de ter uma expressão totalmente diferente da original, também ficou apreciável. Enjoy it!

p.s.: que fique claro que todos… a maior parte dos meus textos (ficções, contos, crônicas, poemas, não desabafos de blog) são independentes de mim e tem seu eu lírico. Sempre vão destoar entre si, em assunto, sentimento, ideologia. Sou só um canal para eles e não, esse texto não me descreve.

VELEJADOR

Perder-se-á em memórias. Prender-se-á em sonhos. Um monstro, o meu. Tal deverá ser você. Eu ainda sou pequena… Você terá que velejar em mim. Escrever meu dicionário. Um salvador, o meu. Tal deverá estar em você. Far-me-á crescer tais minhas palavras. Você terá que velejar em mim. Far-me-á em felicidade. Viajará, embriagado de mim. Um ogro, o meu. Tal deverá ser você. Uma parte de um todo; um eu de você! Ensinar-me-á a andar, terá que velejar em mim. Amar-me-á a seu jeito, tão mais forte que eu. Tomar-me-á nos braços, tirar-me-á de mim. O criador da paz, um amante. Tais deverão estar em você.

Em mim, querido. Porque você sabe o que fazer. Eu sou desbravadora, furiosa, e eu te amo, querido, mas eu não sou ousada! Me construa! Veleje em mim.

Gostando você ou não, assim deve ser. Assim deve ser você. Você deve saber, deve fazer, deve bater! Bater! Batida! Amor! Ah, amor, querido. É disso que você precisa! Me tome nos braços, me tire de mim.

Me ame, querido. Eu não sei velejar sozinha!

KADICHARI M.

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SAILOR OF SEAS

Get lost in my memories. Get caught in my dreams. My monster, just mine. That’s what you shall be. Cause I need to be worked out. I’m no sailor of seas. You’ll write up a dictionary of me. My savior, just mine. That’s what you shall be. You’ll get me off of my little words. I’m no sailor of seas. You’ll make me the happiest person. You’ll pass me out, drunk of me. My ogre, just mine. That’s what you shall be. A part, a whole, a me, a you. You’ll teach me how to ride, cause I’m no sailor of seas. You’ll love it when I say, you’re so much stronger than me. You’ll take me in your arms, and you’ll put me to sleep. My pacifier, my lover. That’s what you shall be.

That’s me, love. You know, I’m one of a kind. I’m brave, I’m furious, and I love you, love. But I ain’t outrageous. Work me out! I’m no sailor of seas.

Either you like it, or not. That’s what you shall be! You shall know, you shall do, you shall beat! Beat! Heat! Love! Oh, love, love. That’s what you shall need! You take me in you arms; you’re gonna put me to sleep!

Just love me, love. I’m no sailor of seas!

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:32 — Arquivado em: Crônicas

13.4.08

Underneath It All…

É, ensinar é osso. Já estou toda preocupada, e isso porque só tenho um aluno, viu? Eu, hein… E sabe o que é pior? Eu gosto! Eu gosto mesmo! Não pretendo seguir carreira, mas, enquanto não sai essa faculdade de direito… com certeza já tenho certeza do que quero fazer. E o que mais me motiva é que eu vejo meus super-professores e o quanto eles me influenciam, me marcam, me ensinam. Putz, eu quero ter essa importância! Pena mesmo que meu lado capitalista sempre me empurre pra longe da profissão. Pena mesmo que eu seja apaixonada por tantas outras coisas além do inglês. Pena mesmo que minhas ambições sejam tão variadas que eu nem sei. Quem sabe, né. Se eu não vou trancar direito pra fazer letras. Quem sabe…

 

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There’s times when I want something more…

Someone more like me…

There’s times when this dress rehearsal seems incomplete…

But you see the colours in me like no one else!

And behind your dark glasses you’re… you’re something else!

You know some real bad tricks

And you need some discipline…

But lately you’ve been trying real hard

And giving me your best…

And you give me the most gorgeous sleep

That I ever had!

And when it’s really bad

I guess it’s not that bad!

So many moons that we have seen

Stumbling back next to me

I’ve seen right through and underneath

And you make me better

Better… better…

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KADICHARI M.

criado por kadichari    17:49 — Arquivado em: Excertos, Reflexões

12.4.08

olímpico

"Chora Passarinho,

O sonho acabou…

O bolo solou…

2º A ganhou…" *

Semana de jogos internos… Putz, muito bom. Mesmo com os dedos machucados, foi muito legal. Sem stress. Competitividade na quadra, zoação na arquibancada. Massa foi ver o espírito de união que pairou mesmo entre as mais diferentes turmas. Tudo sem briga. Mesmo tirando onda com quem perdeu, respeito ao máximo. Todo mundo se valorizando. Emprestando tênis, meias, toucas; ajudando quem ficou com câimbra no pólo; quem torceu o pé no futsal ou no basquete. Não haviam times na hora de cooperar, e se a gente tirou onda no pódio é porque… a gente ficou em primeiro, ué! E merecido. Jogamos limpo, e bem, e nos importamos com os nossos adversários. A única cagada (com o perdão ao vocabulário) foram as meninas chegarem na final do futsal, mas sorte também conta, afinal.

Amei a semana, a semana em que não parei em casa, não entrei na internet, não dormi direito, e torci dois dedos. A semana dos jogos!

KADICHARI M.

*tomei a liberdade de fazer minha própria versão da musiquinha do 2ºA, hehe…

criado por kadichari    13:43 — Arquivado em: miguxos!

5.4.08

Jibóias e elefantes

Estranho como a inspiração pode vir dos lugares mais estranhos. Obviamente, me refiro ao orkut, que me faz vir aqui e digitar mesmo com o dedo roxo com o tamanho dobrado (ser goleira é osso, viu?). Estava lá, olhando um orkut qualquer (nem tão qualquer, mas não importa) e entre as comunidades de rosto da pessoa, encontrei a comunidade da qual também faço parte, a do Pequeno Príncipe. Resolvi dar uma visitada, e encontrei a seguinte questão:

"Tenho um amigo que disse "não gostei do final, porque ele morre". Eu expliquei que um dia ele vai deixar de ver chapéus e vai saber que o Petit num morreu e sim, voltou pra sua rosa. Mas hoje… Eu estava lembrando da pessoa que me deu o livro… Uma amiga que voltou pro planetinha dela.. Fico pensando se essa minha mania de ver jibóias não é só uma fase. Tenho que crescer um dia, seja lá quando for. E hoje.. Agora há uns minutinhos.. Percebi que o pra sempre sempre acaba. E que um dia o Principezinho tem que morrer. Você já se sentiu triste a ponto de pensar que o pequenino estava realmente morto?"

Nunca parei pra pensar se vejo chapéus ou cobras. Na verdade, sempre me preocupei muito mais com o elefante. Por que devemos considerar otimista a visão de quem não vê só o chapéu, se isso significa ver um elefante sendo morto? Cobras abertas e fechadas continuam a ser cobras. E se parecem um chapéu, o pobre elefante ainda está lá dentro.

Deve haver toda uma simbologia nisso, é claro. Mas eu não quero pensar que todo o esforço do petit foi em vão! Ele trouxe luz ao mundo, ele conseguiu arrancar inocência de um coração duro. Ele viu, sim, a cobra e o elefante. E morreu? Pela cobra. Maldita serpente. Pobre petit.

Mas ele virou estrela. Voltou pra sua rosa, sim, voltou. Pra sua terra sem baobás. Eu espero que sim.

Não é otimismo ver a cobra e o elefante, mas é cegueira ver o chapéu. E se você é cego, não vê os baobás. E o petit os via. Os via e os combatia. Sejamos como o petit.

Sem muito nexo, termino aqui. E deixemos petit falar (porque sim, ele voltou pra sua rosa! Mas será que pensar isso não é ver chapéus?).

"- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços…
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo dourados. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Te cativei?

KADICHARI M.

criado por kadichari    12:33 — Arquivado em: Críticas, Excertos, Reflexões

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