25.2.08
Desapego
Vou desapegar.
Porque as pessoas são vis e os objetos são vãos e todo lugar que eu olho me cheira falsidade.
Falsa admiração, o despeito descarado que alguns vem desferindo nas direções erradas, ou certas, disso não posso me assegurar, aquele sentimento amargo vindo pela garganta, a vontade de se encolher. Por que não me sinto mais à vontade?
Conheço esse caminho. E não vou trilhá-lo novamente.
Num momento em que tudo na minha vida é insegurança, só vejo verdade em algumas míseras pessoas, que, mesmo assim, foram empurradas para longe pelo asco que senti por seus sentimentos.
Talvez a falsidade esteja em mim?
Talvez o meu olhar seja o que especula e julga, e eu esteja apenas cumprindo meu papel de torre nesse jogo estúpido: ali, em pé, forte, observando, servindo de apoio, ouvindo confissoes e acolhendo a todos. Ao mesmo tempo, e não consigo achar uma analogia para isso, teço uma teia em torno deles, uma teia que muda minha imagem, para o bem ou para o mal, de acordo com o que eu quero.
Talvez… talvez… eu não seja de confiança.
Talvez tudo o que já jogaram pra cima de mim, toda a falsidade e todo o meu asco se fundiram, me marcaram, e hoje, não posso verdadeiramente sentir.
Ou sinto; o misto de ódio e sede de vingança que me aquece o peito toda vez que abro a boca do meu coração. As palavras saem distorcidas: verdadeiras, porém num tom que nunca é o que eu realmente sinto.
Talvez a falsidade esteja em mim.
Talvez eu tenha que me livrar desses sentimentos para voltar a escrever.
Vou desapegar.
Enquanto ainda há tempo de olhar para trás e sentir um mínimo de afeto pelos tempos passados de ingenuidade.
KADICHARI M.
criado por kadichari
19:49 — Arquivado em: 

Comentário por euler — 26.2.08 @ 0:16
enqt pensa que n está escrevendo nada, escreve coisas cada vez mais maravilhosas. nada q um pouco de maldade para enfeitiçar as frases
gostei do novo visual do blog!
bjs