23.2.08
Escrita
Escrever é mais que uma paixão. É uma necessidade. Porque se eu não escrevo, eu não sei como eu me sinto. O que eu escrevo reflete intensamente a minha vontade de abraçar ou apunhalar o mundo, de amar ou de ignorar meus amigos e minhas paixões.
Escrever é o único amor estável que eu tenho, o único namorado que nunca me deixou irritada, a única amiga que nunca fez nada que me fizesse contar até dez.
Escrever é correr por becos escuros, é sentir o sangue escorrendo pelo seu pescoço, é beijar a perfeição; é sentir desejo, amor, ódio, e não sair prejudicado. É suar e tremer, é sentir prazer, é voar… e depois, sentir-se completamente realizado, sentado, cuspindo tinta na folha que, quando em branco, era assustadoramente intimidante.
Escrever é deixar um pedaço de você na Terra. É reconhecer a si próprio, é afirmar sua identidade e sentir-se vulnerável quando ela é exposta a outras pessoas. A opinião alheia, a humilhação ainda maior que aquela dos tempos do colégio, ainda maior que a humilhação de não ser correspondido, de ser pego em flagrante, a humilhação pior que qualquer outra…
O medo de ter sua identidade rasgada, criticada, descoberta, repudiada… O medo de ser intimidado por sua intimidade… O medo de que as pessoas te esfreguem nas fuças o quanto te conhecem por seu escrito, o medo… O medo.
De repente aquela folha em branco parece um paraíso… E eu me sinto mal pela Rachel, pelo Robert, que merecem um final feliz. E me sinto mal pela minha cultura americanizada que não me permitiu chamá-los de Raquel e Roberto, pela minha cultura americanizada que me rende críticas e que me faz sentir tão… pequena!
Eu sinto muito, muito mesmo… Estou me acovardando.
O espírito de aventura que me levava por aqueles becos escuros está me abandonando e eu não sei o que fazer!
Será que não gosto mais de escrever?
KADICHARI M.
criado por kadichari
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