31.8.07

Coisas…

Sempre tive um verdadeira fascinação pelas coisas. Digo, pela linguagem "coisal". E suas variantes, o popular "negócio", os "troços", aqueles "aquilos" tão bem colocados.

- Pegue aquele negócio ali em cima do troço pra mim, vá.

- O quê, mãe?

- Aquele negócio, homí, num tá vendo não?

É lindo! E na maioria das vezes, todo mundo entende. Quem não já transformou a palavra coisa em verbo? "Ele não coisa mais como coisava antigamente."

É realmente incrível. Muito incrível. Tudo que é popular, é incrível. Correndo o risco de parecer uma cópia barata do meu professor de redação, é maravilhoso. As incríveis formas de comunicações, as variações lingüísticas que surgem através da oralidade, ãs palavras mais toscas e diferentes, o ápice da cultura.

Queria eu ser capaz de me comunicar com tanta clareza como aquelas pessoas que usam a linguagem coisal. É claro que eu me rendo a ela de vez em quando… mas a naturalidade com que ela sai… não é a mesma.

É por isso que eu digo.

Admiremos a todo e qualquer tipo de comunicação. Porque é comunicação. Comunicação é, além de imprescindível, admirável quando bem feita. E a linguagem coisal, a mais fascinante das comunicações…

KADICHARI M.

Lição da semana: Me repetindo: viva as diferenças! Viva o lado coca-cola da vida!

criado por kadichari    19:09 — Arquivado em: Crônicas

25.8.07

"Eu tentei ignorar os ruídos que os dois faziam na cama ao lado, mas estava impossível. Depois de girar no colchão por algum tempo, finalmente me levantei e saí do quarto. Fiquei parado na porta, esperando ele sair para falar comigo. Ele sabia que estavam incomodando.

- Aí, cara, foi mal _ ele disse, assim que saiu. Eu não disse nada, apenas fui até a cozinha. Quando cheguei à sala com um copo de leite, ele estava sentado lá.

Suspirei.

- Eu não devia ter trazido a Tiffany pra cá. _ ele disse. Pelo menos assumia quando estava errado. Eu me sentei ao seu lado.

- Caram eu não gosto de prostitutas. Não tenho nada contra você trazer as suas pra cá, mas eu não gosto delas. Muito menos dos gemidos delas. São falsos. E elas t~em nomes de imitações de Barbie. Tiffany. Stacy. Margareth.

- Margareth não é nome de imitação de Barbie.

- Eu sei. É o nome da minha mãe.

Ficamos calados por algum tempo, enquanto eu terminava meu copo de leite.

- Quando você trouxer essas vagabundas pra cá, usa o porão. Tem isolamento acústico; e pelo menos o cheiro delas fica só por lá.

ele não disse nada. Eu me levantei e fui até o quarto. Tranquei a porta. Ela chamou pelo nome dele no escuro, da cama.

- Sim, sou eu _ eu respondi, e fui até ela."

KADICHARI M.

Não me perguntem o que isso quer dizer.

criado por kadichari    20:54 — Arquivado em: Crônicas

19.8.07

Aísha

Esse post vai ser totalmente dedicado à minha irmã.

Que mesmo sendo muito irritante às vezes (e aquele "dipursuofrrepiness" conta nessa lista) - quando fica tocando no meu ombro quando eu estou no computador, só porque sabe que eu tenho raiva; quando não fala as coisas direito pra eu ficar perguntando "o quê"; quando bate a porta do quarto na minha cara; quando ri que nem uma louca e não me deixa saber porquê.

Mesmo com todas essas coisas.

Eu amo minha irmã. E não sei por quê, eu tive vontade de escrever sobre isso hoje.

Por que eu realmente acho que ela me ajudou a formar quem eu sou. Ela me apoiou e me apóia, e mesmo que irritantes, não tem som mais celestial que suas risadas. Mesmo que eu tenha que dividi-las com esse tal de Cleiton (que no fundo também é um cara legal), eu adoro.

E sempre vou.

Te amo, Aísha. Do fundo fundo do meu coração, até a borda borda dele.

KADICHARI M.

criado por kadichari    18:16 — Arquivado em: Reflexões

18.8.07

JAZZ!

Ontem estava eu no festival de jazz, all by myself, graças à desistona da minha irmã.

Sem muita empolgação. Quando meu pai disse que tinha ganhado o ingresso, eu fiquei meio… "Jazz?", e não me empolguei nada até a banda tocar a primeira música.

Putz, que música boa! Banda argentina, Porteña Jazz Band… Primeira vez em Aracaju, elogiaram pra caramba. Agradeceram o governador, e quando todo mundo começou a se virar para trás e aplaudir, percebi que estava na frente do excelentíssimo governador do estado de Sergipe Marcelo Déda. Rolou até um papinho com ele…

Anyway, o show. Muito bom, muito bom. Com dieito a piadinhas, portunhol, e muitos aplausos. Banda realmente muito, muito boa. Amei. Três saxofones, três clarinetas, uma tuba, um trompete, dois trombones, um piano e um batera - um velhinho que parecia ter cem anos, que depois começou a tocar aquela bateria móvel pendurada no peito, dançando todo empolgado, putz! Ganhei a noite (even though I was alone).

Maravilha de show. então, dez minutos de intervao para a montagem da outra banda. olhei no programa: francesa. Fiquei pensando sobre a comunicação dos "Irakli and Louis Ambassadors" com a platéia, mas simplesmente achei que eles não fosse falar. Então, ao fim da primeira música, um "Merssie Beaucoup" e um jorro de palavras ininteligíveis. Risadinhas, aplausos… de que diabos esse povo está rindo?

Então lembrei que o governador estava atrás de mim. Ri junto. Não ia posar de idiota. Depois parei para pensar: acho mesmo que umas três pessoas riram realmente do que o cara falou, e o resto foi na onda. tanto faz. A banda era óóóóótima. Até apagou o sono. Tudo bem, eu quase não conseguia segurar o riso na hora que o cara falava, mas fora isso… perfeita.

Uma clarineta, que fez um solo de dez minutos, um piano, outro solo de dez minutos, um trompete (de onde o trompetista ficava jogando jatos e jatos de cuspe no intervalo das músicas - o chão deve ter ficado uma nojeira), uma trompa, outro solinho de uns quinze minutos, e um batera, que fez um solo de vinte e cinco minutos, e que era simplesmente muito foda! O cara parecia com um aotr americano, meio com umas parências assim de Keanu Reeves e tocava com uma naturalidade impressionante! Foi muito, muito bom.

Isso sem contar de quando eles tocaram em conjuntos.

Foi muito bom.

KADICHARI M.

Lição da semana: Viva as diferenças! Vida o lado coca-cola da vida!

criado por kadichari    20:27 — Arquivado em: Críticas, Reflexões

4.8.07

mágoas

Eu acho que sempre tentei abafar tudo o que eu sentia sobre Carajás. Não é um lugar do qual eu goste de lembrar; não me sentia bem lá e até hoje tenho muita, muita mágoa do que me fizeram sofrer.

Conto nos dedos os amigos e perco a conta dos(as) idiotas que se aproveitavam de mim, que me desprezavam, pisoteavam, me inferiorizavam. Por que eu sinto falta de lá? Eu não sei…

Não sei se é falta o que eu sinto. ou se é vontade de voltar e esfregar na cara dessas pessoas que a criança idiota da qual eles riam está bem, melhor que qualquer um deles, que está tendo a formação realista de um lugar de verdade, não esse pequeno feudo em que vivem.

Sabe, quando eu penso nos lugares, no ar puro, na casa grande, na escola, no bosque, nos animais, nas trilhas, no clube, até no hospital, eu me sinto bem, muito bem… Eu choro de saudade daquilo.

Mas quando eu começo a pensar nas pessoas… Com a ressalva de alguns poucos amigos que eu acho que foram de verdade, eu me pergunto: por que eu quero voltar lá?

E é sério, eu não sei se é algo que me faria bem. Eu não sei se quero rever todo mundo. Eu não sei, eu tenho medo de, sei lá, começar a chorar na frente deles, e… Eu não sei… Não sei se quero por essa dor pra fora.

Mas eu quero, eu quero ir… Porque eu não acho que haja outra maneira de me livrar dessa mágoa pulsante que, por alguma razão, tem ficado maior e me feito chorar mais ultimamente…

KADICHARI M.

p.s.: eu sei que isso n é oq as pessoas gostam de ler em blogs, mas, whatever, eu n tinha o que fazer e definitivamente devia por isso pra fora. Na vdd, ainda tem é muito aqui dentro.

 

criado por kadichari    17:56 — Arquivado em: Reflexões

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