20.6.09
Busy
She was meaning to conquer the world, but found out she could only hold one at once.
Giving up was necessary.
KADICHARI M.
She was meaning to conquer the world, but found out she could only hold one at once.
Giving up was necessary.
KADICHARI M.
Se em épocas passadas, o negro era o explorado da vez em terras tupiniquins, o germe do capitalismo já derrubou qualquer limitação étnica ou etária que a escravidão pudesse apresentar - seja a escravidão de idéias, de tempo, ou de trabalho.
Classificamo-nos todos, antes de tudo, como escravos do capitalismo - nossa sobrevivência é condicionada a quanto podemos pagar por ela. A quem não pode pagar por sua carta de alforria, resta o trabalho contínuo, por vezes vitalício, que exige a dedicação de todo o seu tempo livre. E na época em que a máquina trabalhista se reduz ao direito de ignorar direitos e ao dever de exigir deveres…
A mágica irônica do capitalismo é que, por mais humilhante que seja, um emprego é uma fonte de estabilidade mínima, e sempre haverá alguém disposto a se arriscar. Cortador de cana, catorze horas sob o sol sem proteção o assistência fazendo trabalho braçal? Menino de onze anos para pôr madeira em um forno de barro fechado sob risco de intoxicação?
E por que não?
O trabalho é super exigido e subvalorizado. É preciso cumprir prazos, fazer horas-extras, ter boas informações, só para depois ter de clamar, protestar, processar para ter seus direitos atendidos - ou nem isso: na massificação global em que nos encontramos, poucos o fazem, poucos se diferenciam. Os presos pelas idéias são piores que os amarrados por condições brutas.
Findamos encalacrados no poço da acultura assalariada; no lugar em que quem tem poder humilha e quem não tem acata; no tempo em que escravidão é coisa boba.
KADICHARI M.
Não trabalhamos com o acaso.
Não trabalhamos com a possibilidade de não acertar, de não ver, não ouvir, não sentir.
Não trabalhamos com a probabilidade de não existirmos; de inutilidade, de desimportância
Não trabalhamos com a necessidade de rejeição, de destruição, com a necessidade de errar.
Não trabalhamos com a necessidade de morte.
Não precisamos do acaso.
KADICHARI M.
A estrada é longa; o asfalto quente pode fritar ovos, ferver água, dissecar você. Mas você não tem ovos nem água.
KADICHARI M.
Acabou que você não estava realmente fora da minha vida.
Não sei se te encontrei só porque você deixou que eu te encontrasse - a verdade é que eu não estava procurando - e nem sei o que isso significaria.
Eu nem quero voltar àquela rotina, também… Algumas relações são feitas para não dar certo.
Foi uma boa surpresa, porém. Bom saber que você tá bem.
KADICHARI M.
How do you make sure you’re here? I know, "I think, therefore I exist". But how can I make sure that my thinking ain’t just somebody else’s conscience being written; somebody else’s thought; just a character in a book two thousand years from now (that’s my now I’m talking about, my illusion of presence).
People are just so deluded about everything, why not about this?
Why don’t anyone doubt their own existence?
I really wish that I’m somebody else writing a book. At least I’d know something grand will happen till the end.
KADICHARI M.
Era longa a série de mal-entendidos que nos seguia e unia - isso nem vem ao caso - porque havia uma séria incompreensão nos abrangendo. Ela não podia entender e eu ficava rouca de explicar; acabávamos por aceitar uma a outra como os seres mais ignorantes do mundo e seguíamos em frente.
Houve, então, o mal-entendido que acontecera de verdade.
Primeiro note que ela sempre fora inquieta. Era de sua natureza, de sua pele, de seus olhos, mesmo quando sentada, mexerem-se, erguerem-se, desconcentrarem-se. Havia uma certa agonia no modo como viajava o olhar da boca pra as mãos do interlocutor e então para os seus próprios pés balançantes quando o discurso começava a alongar-se; hiperatividade ou déficit de atenção, não sei. Posto isso, sigamos.
Houve que algo aconteceu. E eu que havia de dizer que não foi nada significante, ou até que não foi, apenas, disse. Grandes estrondos e escândalos não são mais ridículos que a não-justificativa de quem diz que não fez o que fez. Nem são tão inesperadas as conseqüências.
O que ela viu ou ouviu, exatamente, eu não sei dizer, já que o que ela falou após foram poucas palavras - desanimadas até. A grande impaciência dela me impediu de explicar - até mesmo se ela tivesse uma grande paciência me seria difícil.
Creio que houve um entrechoque de idéias tão grande naquele cérebro de menina que a inquietação imperativa dela se tornou introspectiva, e até sua voz parecia ser engolida e não proferida - ainda que não tenha me esforçado um mínimo pra ouvir todas as palavras bem diccionadas: "você e eu somos uma piada. Nós somos uma piada". Só não tenho certeza se o "haha" que se seguiu foi dela ou da minha imaginação.
Não importa. Foi o que bastou pra nos provar o quão ridículas éramos. Não havia, nem haveria, chance para toda a nossa falta de comunicação numa relação adulta; e já deixáramos de ser crianças.
Fomos em caminhos separados, mas de perto. Eu podia vê-la e ela a mim, ambas as duas ansiando por um novo cruzamento.
Quando lá chegamos e sentamo-nos juntas outra vez, pude perceber a calma que ela apresentava. A eloqüência, a coerência, a atenção expressiva nos olhos castanhos meio puxados. E, num momento de silêncio, tive o prazer esquisito de ouvi-la comentar sobre a minha inquietação aparente.
Eu ri um tanto, e ela apenas me observou com olhos sorridentes. Compreensão mútua. Acho que foi aí que ficamos.
KADICHARI M.
"I have stood here before inside the pouring rain
With the world tunring circles running ’round my brain
I guess I’m always hoping that you’ll end this reign
But it’smy destiny to be the King of Pain…
I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running ’round my brain
I guess I always thought you could end this reign
But it’s my destiny to be the Queen of Pain…"
Um homem e uma mulher.
Homem bruto, rural, tosco. Mulher inteligente, independente, amante.
A primeira parte do livro, em seus dois capítulos, mostra o lado "macho-fêmea" da relação do casal. O lado em que ela é dominada, e ele domina, e estão ambos felizes em seus fetiches satisfeitos. Ambos estão profundamente conectados, em gestos, em imagens, am atos.
Logo a situação muda. Ao passo que eles se levantam para tomar banho, percebemos que é ela quem cuida dele. Há uma conexão quase maternal no modo como eles se comportam, ela lavando seu cabelo, passando-lhe sabonete, secando-o, vestindoo, penteando-o; ele aceitando do bom grado todos os tratos, como um menino que não tem jeito para se arrumar, que precisa de ajuda e aceita a ajuda daquela em que confia.
É muito importante ressaltar, antes de passar para a parte mais importante do romance/conto, que a história é quase em absoluto narrada por ele, a não ser pelo capítulo final. É importante porque ao observar o livro, sem mergulhar nele, ele pode parecer cansativo (UOU, cinqüenta e duas páginas num só parágrafo!), quando não é de forma alguma.
Ele é empolgante justamente por se tratar de um fluxo de pensamentos momentânios, iniciados no café-da-manhã, quando ele percebe a dondoca que está à sua frente. Já desgostoso, percebe as saúvas: formigas danadas que lhe fizeram um buraco na cerca viva!
Rompante! Como se visse alguém sendo assassinado, ele se levanta estrondosamente, corre à dispensa e apanha veneno para as formigas, sempre pensando que aquilo não pode acontecer com ele, mais exaltado do que deveria estar, irritado, machucado, como se corroído por dentro. Formigas mortas, segunda parte da raiva.
Ele se vira, jubilante, para encontrá-la, a sua dondoca, conversando com a empregada! A "gente do povo" que ela tanto exaltava. Idiotice, idiotice. Segundo rompante: ela faz uma piadinha. Um comentário que o diminui, que o transforma num idiota.
Ah, ele não aguenta. Primeiro humilha a empregada, depois se vira para ela, ele tem que acabar com ela. Não consegue. Como, pois, conseguiria um bruto, um homem da fazenda, ganhar nas palavras de uma jornalista? Ela mostra pra ele. Ela só é dominada quando quer. Exercendo o papel de mulher, e não de fêmea, não há a mínima chance de uma vitória dele.
Então ele apela. Apela para os fetiches, para a fêmea que ela guarda. Horrorizada, ela vai embora. E ele chora.
Afinal ele é um menino. Ele precisa dela.
A parte final do livro é narrada por ela. É quando ela volta para ele, quando ela mostra que o perdoa e sempre o perdoará, porque meninos são assim. Eles agem antes de pensar, e se arrependem quando pensam. O arrependimento é suficiente. Ela volta.
p.s.: livro pra se ler de uma vez.
KADICHARI M.
A diferença entre o socialismo e o capitalismo não é o dinheiro - existe dinheiro, existe salário (planificado, mas há) no socialismo; não é o comércio - se há salário há comércio, e mesmo que não houvesse, haveriam trocas, haveria a necessidade de se conseguir o que a sua terra não pode produzir.
Qual a diferença?
Desculpem-me os intelectuais que achem enormes furos no que estou prestes a dizer; eu não li o socialismo científico de Marx, só tive aulas de história.
O socialismo é um sistema político e econômico que funciona de modo a dar destaque à indústria da qual o povo mais precisa. É um governo que funciona em função do povo. Primeiro as indústrias de base, depois as indústrias de bens de consumo, depois as indústrias de tecnologia de ponta.
O socialismo funciona quando toda a população do país tem acesso a assistência médica pública de qualidade, ensino público de qualidade, empregos com uma média de renda de acordo com o quanto ele precisará gastar e assistência do governo para tudo e qualquer coisa.
Uma vez instalado o sistema, o Estado pode evoluir para um simples fiscal, e tudo se mantém funcionando com qualidade.
Ei, espera. Não é isso que o nosso governo capitalista devia fazer?
Por favor, corrijam-me. Eu estou confusa. Seria o socialismo um capitalismo menos consumista e que funciona?
KADICHARI M.